5G no Brasil: País aguarda revolução nos processos de produção, na logística e no comércio



*Por André Sacconato

A mudança do 4G para o 5G no Brasil não se trata de uma evolução de tecnologia, mas da revolução mais indispensável da próxima década, com potenciais gigantescos de transformações econômicas – afetando produtividade, eficiência, segurança, negócios, geração de empregos e acessibilidade.

Nós, que sentimos a evolução quando ocorreu a mudança do 3G para o 4G há alguns anos, só conseguimos ter uma ideia do que será a próxima mudança. A nova banda atinge o que chamamos de internet das coisas: vai permitir, por exemplo, entregas e carros sem motoristas, comando de empresas a distância, melhorias em comunicação urgentes, exames com médico a distância, o crescimento de mercados mobile, dentre outros. É importante que estejamos atentos a essa revolução.

O Leilão das bandas para o início do uso do 5G no Brasil já suscitou vários debates: o primeiro, mais geral, trouxe à tona discussões geopolíticas: A Huawei deveria (ou não) participar do fornecimento de material para as concessionárias habilitadas? Mesmo com uma pressão grande dos Estados Unidos e dos componentes do Quad (aliança anti-China no pacífico), o Brasil permitiu o acesso de empresas dos gigantes asiáticos, baseado em uma premissa racional – o fornecimento de material da infraestrutura brasileira é quase todo baseado na empresa chinesa, de modo que uma mudança demandaria mais tempo e recursos. A primeira decisão foi acertada e embasada em critérios de eficiência.

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Dada essa decisão, seria necessário montar a estrutura do leilão das bandas. E a escolha de um sistema competitivo viabilizou a entrada de muitos agentes, o que promete melhorar a qualidade do serviço e favorecer o fornecimento para um país continental. Foram 15 concorrentes, o que pode ser considerado tanto um sucesso quanto o compromisso de que o resultado será positivo daqui para frente.

Alguns pontos poderiam ter sido resolvidos antes do leilão, para não gerar problemas futuros, tal como a burocracia para instalação de antenas. Apesar de licitadas as bandas, será necessário que as cidades estejam preparadas para receber a tecnologia, e isso só é possível atualmente em pouco mais de uma dúzia das cidades.

O exemplo das antenas é esclarecedor. O 5G precisa de antenas menores, parecidas com um roteador grande que temos hoje. Não necessitam de terrenos grandes e cercados, nem de antenas de três a quatro metros de altura.

Contudo, a imensa maioria dos municípios possui legislação que tratam de antenas, terreno e distância em relação às residências – questões que não fazem sentido em relação ao 5G e, inclusive, podem inviabilizar o andamento rápido das instalações e gerar alto custo individual para o consumidor, se não forem revistas.

De qualquer forma, foram muito mais acertos do que erros neste processo, e a dinâmica vem sendo positiva para a implementação da nova tecnologia. O resultado do leilão permitiu que os lotes fossem divididos em várias empresas, o que aumentará a concorrência e viabilizará uma maior prestação do serviço.

A participação de varias companhias é um indicativo de que o serviço deve ser lucrativo. E isso irá resultar em muitos investimentos, fator fundamental para a produtividade do País. Vale sempre lembrar que a maior importância do 5G não está no serviço prestado aos celulares, mas sim na “internet das coisas”, a qual permitirá avanços gigantescos na eficiência dos processos de produção e, principalmente, de logística.

É importante que o empresário esteja bastante ligado à nova tecnologia, principalmente em relação ao que ela pode oferecer e em como usá-la da melhor maneira para análise de dados de alta frequência e para uma melhor experiência do consumidor – este que aguarda avidamente pelas tecnologias que já começam a surgir em grandes metrópoles mundo afora, e interessado em consumir cada vez mais serviços digitais.

Não será mais permitido improvisação ou feeling, os dados serão o “norte” do empresário. Usá-los com eficiência será um diferencial maior até do que o produto em si. Além disso, haverá uma revolução na logística: carros e entregas autônomas, seleção automática instantânea nos armazéns e prazos menores do que um dia na entrega, serão comuns.

O comércio presencial vai, cada vez mais, servir como showroom, e menos como ponto de venda. Os preços devem ser beneficiados com o aumento de eficiência, enquanto que a compra online terá mais vantagens na venda.

Saiba mais sobre o Conselho de Economia Empresarial e Política (CEEP).

*André Sacconato é economista, consultor da FecomercioSP e integrante do CEEP. Artigo originalmente publicado no Portal Contábeis em 12 de novembro de 2021.