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Associações comerciais manifestam apoio à independência do BC

O presidente questionou a efetividade das ações do BC para controle da inflação


Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionando a necessidade da independência do Banco Central (BC), gerou descontentamento entre empresários e demais agentes econômicos. Diante das falas do presidente, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) decidiu reforçar sua posição favorável a um BC autônomo.


Em manifesto assinado juntamente com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a entidade destaca que a “legislação que assegurou a independência do Banco Central garante não apenas a estabilidade econômica, como a previsibilidade para os agentes econômicos.”


A necessidade de previsibilidade para o mercado, dizem as entidades, se faz ainda mais necessária após a aprovação da PEC da Transição, que prevê o fim do teto dos gastos, “transmitindo aos agentes econômicos sinais negativos com relação à política fiscal, aumentando o temor de que a inflação, que vinha apresentando sinais de desaceleração, possa reverter sua trajetória de queda.”


O posicionamento das associações comerciais acontece alguns dias após Lula afirmar, em entrevista à GloboNews, que o BC independente não faz mais agora do que quando o presidente da instituição era trocado sempre que um novo governo assumia. “Minha divergência é que nesse país se brigou para ter um BC independente achando que ia melhorar o quê? É uma bobagem achar que vai fazer mais do que quando o presidente indicava”, disse o presidente.


Na entrevista, Lula contestava o fato de que mesmo com a independência da instituição, os juros e a inflação continuam elevados.


O presidente Lula também defendeu que a meta de inflação deveria ser superior à atual. "Veja, você estabeleceu uma meta de inflação de 3,7%. Quando você faz isso, você é obrigado a arrochar mais a economia para poder atingir aqueles 3,7%. Por que precisava fazer 3,7%? Por que não fazer 4,5, como nós fizemos? O que nós precisamos nesse instante é o seguinte, a economia brasileira precisa voltar a crescer, e nós precisamos fazer distribuição de renda, nós precisamos fazer mais política social."


Diante do mal-estar no mercado causado pelas declarações, o ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, precisou ir à público afirmar que não há plano do governo para reverter a independência do BC.


A autonomia do Banco Central entrou em vigor em fevereiro de 2021, após ser aprovada pelo Congresso Nacional e sancionado pelo governo. A lei de independência da instituição tem como principal mudança a adoção de mandatos de quatro anos para o presidente e diretores da autarquia federal. Esses mandatos ocorrerão em ciclos não coincidentes com a gestão do presidente da República.


No manifesto, as associações comerciais dizem ainda que aquilo que esperam do governo “é uma reforma administrativa que assegure a redução dos gastos, o aumento da eficiência no uso dos recursos, a correta definição das prioridades e o aumento da produtividade do setor público.”


O documento segue afirmando que “a garantia da estabilidade monetária como sinalização aos agentes econômicos não interessa apenas ao mercado financeiro, mas a todo setor privado, que é o verdadeiro construtor do desenvolvimento e que necessita de horizontes claros para a realização dos investimentos.”



FONTE: dcomercio.com.br

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