Compradores internacionais de olho no mercado de cosméticos brasileiro

A internacionalização das marcas brasileiras é uma das prioridades da Beauty Fair para os próximos anos, pois há um grande potencial de desenvolvimento no exterior.


Dentro da Beauty Fair há um espaço exclusivo destinado a investidores internacionais, que têm interesse em fechar negócios com o Brasil. As Rodadas de Negócios Internacionais, é um programa que tem como objetivo fomentar o projeto de exportações brasileiras de cosméticos, estética capilar e produtos semelhantes.

A internacionalização de marcas brasileiras é um dos pilares de negócio da Beauty Fair. Em 2019, pela primeira vez, participamos como parceiros da Cosmoprof Bologna e repetimos o projeto em 2022, em ambas edições com rodadas de negócios. A Beauty Fair no Brasil também realiza as rodadas e, nesse ano, notamos uma procura muito maior das indústrias. Sinal de que os negócios internacionais estão acelerando novamente”, destaca Patrizia Battaglia, gerente de novos negócios da Beauty Fair.

Os números do projeto são significativos. De acordo com Rodrigo Pinho, consultor da Beauty Fair para o projeto, foram realizadas 230 reuniões de negócios com o envolvimento de 70 empresas. “Nossa meta para os próximos anos é poder trazer mais exportadores e formá-los, mesmo que eles ainda não sejam atuantes no mercado internacional, mas que com a Beauty Fair possam obter as ferramentas necessárias. Com isso, poderemos aumentar o número de empresas brasileiras participantes “, pontua.

O consultor acredita que a globalização é um movimento sem volta. Então, além de aumentar o centro de receita, fazendo exportações, diminui-se a dependência do consumo do mercado interno. Ele diz ainda que nos momentos de crise, os empresários acabam sofrendo sozinho, porque não há uma segunda fonte, não têm aquilo que é feito a partir de vendas internacionais e a internacionalização é uma forma de atualização do produto. “Não é possível manter um posicionamento internacional se não estiver atualizado, se não obtiver um nível de qualificação necessária para que a sua manutenção seja efetivada nesse mercado. Então, além do centro de receita ‘extra’ que a exportação proporciona, há, naturalmente, uma atualização contínua daquilo que é tendência fora.”


Seleção de buyers

As empresas exportadoras, em um primeiro momento, são o mercado-alvo desse projeto, por conta dos compradores convidados. A Beauty Fair realiza um crivo extremamente alto. Pinho explica que a feira quer empresas estabelecidas e que já façam importação, que tenham um portfólio o mais amplo possível para que gere um maior número de meetings, ou seja, o maior número de reuniões possível. “Então, primeiro a gente faz uma segmentação do mercado, vê a quantidade de expositores da indústria de hair professional. Esse número geralmente é 60% a 70% do montante. Assim, a primeira coisa que é feita, na hora de elencar os convidados, é que se tenha, no mínimo, 70% desses compradores com interesse em hair professional. Não adianta trazer um comprador com interesse específico em maquiagem, por exemplo, se eu tenho, apenas três expositores nesta categoria.”

Já para um buyer ser selecionado, ele precisa ter solidez, ser uma empresa já constituída, já ser importadora e com um portfólio amplo que permita um número maior de entrevistas. “Este ano, trouxemos três empresas com um número significativo de profissionais. Algumas delas vieram com quatro profissionais, sendo que o total da delegação foram 24 pessoas. Entre os países participantes, tivemos Paraguai, Uruguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e os convidados do Iraque. A intensão é manter sempre o foco na América Latina e cada vez mais começar com países spots. Este ano foi o Iraque, que é o Oriente Médio, um país muito interessante.”


Dinâmica entre empresas e buyers

A Rodada de Negócios Internacionais funciona com reuniões de 15 a 20 minutos onde a empresa vendedora, que é o expositor, se apresenta, apresenta as linhas de produtos, conhece um pouco da contrapartida, quais são os interesses e fazem um convite para que o buyer visite o seu estande, para que possam fazer reuniões futuras.

Este ano, teve um caráter de exceção para algumas empresas. Em torno de dez empresas, algo em torno de 15% do projeto, não eram empresas exportadoras, mas são empresas com uma linha bem estabelecida, com um processo industrial já pronto e consagrado, o que permite a chance de se fazer este primeiro contato. “Nós disponibilizamos inclusive tradutores para aqueles que não tinham domínio do espanhol ou do inglês e as reuniões foram bastante produtivas”, destaca Pinho.

Para os buyers, a Beauty Fair é uma excelente oportunidade para o desenvolvimento de novos fornecedores e aumento de portfólio. O especialista esclarece que hoje o mercado internacional sofre com a logística, já que os custos subiram muito. Então, no mercado sul-americano é possível se desenvolver com um parceiro. “Tanto os membros quanto os países parceiros conseguem a importação com imposto zero, o que é muito atrativo.”

O diretor geral da Beauty Fair, Cesar Tsukuda, complementa dizendo que em 2023 a Beauty Fair levará o projeto para a feira de Dubai. “Sem dúvida nenhuma a internacionalização das marcas brasileiras é uma das prioridades da Beauty Fair para os próximos anos, pois temos a certeza que há um grande potencial de desenvolvermos marcas brasileiras pelo mundo.”


Palavra da indústria

A empresa Salvatore foi uma das expositoras dentro da área de negócios internacionais e ressalta que o projeto é muito relevante, pois possibilita fazer contatos que não seriam fáceis de encontrar se não estivessem concentrados ali.

A analista de negócios internacionais da Salvatore, Tania Caldeiron, comenta que foi possível desenvolver boas conversas e acredita que logo fecharão novos negócios. “Os buyers estão interessados em qualidade e preço sempre, então, tentamos mostrar nosso diferencial para que possamos nos destacar”.

Para a Prohall, a Beauty Fair é de grande importância. Por ser tratar de uma feira internacional, traz visibilidade e permite captar contatos relevantes para a marca. O diretor comercial da empresa, Guilherme Ascencio, revela que a expectativa do projeto Rodada de Negócios Internacionais os surpreendeu. “As negociações com os contatos obtidos por meio desse projeto tiveram sequência com sucesso após feira. O produto de grande interesse internacional foi o realinhamento capilar, que aqui no Brasil já é um sucesso de vendas.”

Ele disse ainda que a feira é de grande excelência para expandir negócios nacionais e internacionais, realmente um networking.

A gerente de exportação da Richee, Aline Ardel, lembra que a feira é de fundamental importância para posicionamento de marca. Entre os desafios enfrentados com a exportação, ela cita a concorrência despreparada e o produto de maior interesse pelos buyers foi o alisamento para cabelos.


FONTE: negociosdebeleza.beautyfair.com.br