Conselho de Turismo recebe empresários e WTTC para debater condições de retomada e reabertura de fro


A pandemia causou um forte impacto no turismo em todo o mundo, reduzindo a contribuição total do setor para 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2020, ante os 10,4% em 2019 – isso representa uma queda de 49% e uma perda de cerca de US$ 4,5 trilhões. Em contraste, a economia mundial encolheu em torno de 3,7% no ano passado.

Os números também refletem na empregabilidade do setor. Em 2020, 62 milhões de vagas foram fechadas mundialmente em todas as áreas de viagens e turismo. Esta é uma ameaça persistente, tendo em vista que muitas atividades precisam de incentivos de políticas governamentais.

No Brasil, entre 2019 e 2020, a participação do turismo no PIB caiu 32,6% – de 7,7% para 5,5%. Em relação aos empregos, foram fechados quase 1,5 milhão de postos de trabalho ante 2019 (-19%). Já o gasto com turismo em território nacional teve retração de 35,6%, passando de R$ 390 bilhões para R$ 251 bilhões.

Os dados foram apresentados pelo World Travel & Tourism Council (WTTC) em encontro realizado pelo Conselho de Turismo (CT) da FecomercioSP para debater como as conjunturas mundial e nacional irão impactar nas atividades empresariais nos próximos meses. O CT recebeu a responsável pela WTTC nas Américas, Helena Bonomi, para apresentar os dados e avaliar políticas e estratégias para a recuperação econômica do turismo. A organização é uma comunidade global líder na representação do setor, atuando há décadas com pesquisas e guias orientativos e em prol dos pleitos da indústria turística em todo o mundo.

Outras constatações do relatório anual da WTTC também são relevantes: em 2020, o gasto doméstico com turismo no mundo caiu cerca de 45%, e com viagens internacionais, 69,4% – porcentual sem precedentes, pondera a organização. Os gastos com turismo de negócios caíram 61%, e com o turismo de lazer, 49,4%.

Tendências para o turismo

Outros dados apresentados pela WTTC se relacionam às mudanças tecnológicas que vieram para ficar no pós-pandemia. Em um relatório sobre o futuro do setor como um todo, identificaram que:

- é esperado que a videoconferência continue em uso por 69% das pessoas que adotaram este meio durante a pandemia;

- 66% dos consumidores estão utilizando menos dinheiro físico e preferindo soluções sem contato;

- 45% dos viajantes estão dispostos a adotar uma identidade digital em vez do passaporte;

- 44% dos viajantes aumentaram sua presença nas redes sociais;

- os viajantes pesquisam mais sobre protocolos de higiene antes de reservar uma viagem;

- o fator humano está sendo primordial, de forma que os turistas estão dando mais importância ao consultor de viagens para a solução de problemas;

- há uma maior preocupação dos turistas quanto a questões ambientais.

Padronização de certificados de vacinação

Helena detalhou uma série de princípios que a WTTC elaborou para tentar restaurar a mobilidade internacional, e que estão sendo apresentados e encaminhados a diversos governos ao redor do mundo. Um deles é a adoção de protocolos reduzidos para viajantes vacinados, além do reconhecimento de todas as vacinas autorizadas para uso pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Alguns países não estão aceitando determinadas vacinas, tal como os Estados Unidos. Cada um tem uma lista diferente. Para o bem do setor, e também em benefício ao próprio viajante, estamos pedindo que se utilize a lista da OMS, que aceita um grande número de vacinas. Isso é primordial para a recuperação do turismo. Não dá mais para manter as fronteiras fechadas, tem que abrir para quem está vacinado.”

Outro princípio é a adoção global de “passes de saúde digital’ que permita aos viajantes obter e verificar facilmente seu status de vacinação e o resultado negativo do teste de covid-19. Além disso, que sejam interoperáveis com os sistemas de controle de fronteira e operadores de viagens. Trata-se de uma padronização global de um certificado eletrônico de vacinação que simplifique para o turista. “Neste ponto, estamos vendo um imenso desafio das companhias aéreas diante de longas filas e verificação manual, que é justamente o que não precisamos no momento”, Helena ponderou.

A presidente do CT, Mariana Aldrigui, enfatizou que há levantamentos que mostram que quase a totalidade da população brasileira está disposta a se vacinar, que os índices são crescentes, que as vacinas adotadas no País são aceitas pela OMS e, ainda, que a população tem interesse em retomar as viagens internacionais.


Fonte: FecomercioSP Arte: tutu