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Cresce frequência de idosos nas farmácias, que gastam o dobro dos jovens

Pesquisa da Varejo 360 revela que os chamados ‘cabeça de prata’ são responsáveis por 17% das vendas das drogarias. Em 2012, este percentual era de 9%


A população brasileira está envelhecendo, numa relação direta com a queda da taxa de natalidade. Vale, portanto, um alerta. Pesquisa recente realizada pela Varejo 360 com consumidores paulistas revela que mais do que nunca as farmácias devem prestar atenção ao público acima de 60 anos.


Os clientes com idades entre 60 e 90 anos já são responsáveis por 17% da receita das drogarias paulistas. Em 2012, o percentual era de 9%.


Na faixa dos mais jovens, entre 18 e 29 anos, ocorreu o inverso. A participação nas vendas das farmácias caiu de 16% para 8% em dez anos.


A Varejo 360 também identificou que o tíquete médio do idoso é maior do que o da média dos paulistas e do que o dos jovens. No ano passado, o valor médio da compra do público acima de 60 anos foi de R$ 122,74. Na média dos consumidores, de R$ 82,62 e, dos jovens, de R$ 59,14.


Outro quesito que aponta os chamados “cabeça de prata”, em razão dos cabelos brancos, como clientes especiais é o que mostra a frequência às lojas.


De acordo com a pesquisa, a ida às farmácias do público entre 80 e 90 anos é de quase 20 vezes por ano e, entre 70 e 79 anos, de quase 17 vezes.


Na faixa entre 18 e 29 anos, a visita é de quase sete vezes e, na de 30 e 39 anos, de nove vezes ao ano. Na média dos paulistas, a ida é de quase 11 vezes por ano.


“O idoso vai quase duas vezes por mês às drogarias e os jovens, uma vez a cada dois meses mais ou menos”, afirma Fernando Faro, um dos fundadores da Varejo 360.




Todos esses dados, coletados diretamente de uma amostra de mais de 100 mil consumidores paulistas, diz ele, revelam a importância dos idosos para as farmácias.


A pesquisa tomou como base 27 milhões de cupons de compra coletados em dez anos.


As informações sobre gastos e ida às farmácias chegam para a Varejo 360 por meio de um aplicativo, o “Dinheiro na Nota”.


O consumidor se cadastra e recebe dinheiro pelo envio de tíquetes de compra. Os dados, portanto, vêm diretamente dos consumidores, não de empresas.


Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o país possui cerca de 32 milhões de idosos (acima de 60 anos).


Este número representa aproximadamente 14,7% da população brasileira. Em 1960, como base de comparação, eram 3 milhões de pessoas acima de 60 anos.


Projeções indicam que este número pode dobrar até 2060. Em alguns países, como a Bélgica, a população idosa levou cem anos para dobrar.


Algumas redes de farmácias, de acordo com Faro, já colhem os frutos em razão da maior atenção ao público “cabeça de prata”.


O público na faixa de 60 a 90 anos representa cerca de 17% do faturamento das redes ligadas à Abrafarma, associação que reúne as redes de farmácias.


A maior participação ainda é do cliente na faixa entre 40 e 49 anos, de 31%, seguida do de idades entre 30 e 39 anos, de 26%.


Para Olegário Araújo, pesquisador do FGVcev – Centro de Excelência em Varejo, a tendência é crescer a participação dos idosos nas vendas das farmácias, principalmente em razão do aumento da expectativa de vida da população brasileira.


“Como média, essa é a tendência. Mas é claro que existe muitos ‘Brasis’ dentro do Brasil e tudo depende do local em que o varejista opera”, afirma.


As grandes redes estão atentas a esse público, diz ele, tanto que estão investindo em serviços. “Há mais de 4 mil clínicas associadas à Abrafarma no país.”


Em determinadas farmácias, de acordo com Araújo, já é possível ver mais espaços para fraldas geriátricas do que para fraldas infantis.


O Japão, de acordo com Faro, é o país com maior percentual de idosos no mundo. Em 2014, as vendas de fraldas geriátricas superaram as de fraldas infantis.


No Estado de São Paulo, de acordo com a Varejo 360, entre 2016 e 2021, as vendas de fraldas geriátricas cresceram e as de fraldas infantis tiveram pequena queda.


“Hoje fala-se em cinco gerações diferentes. Quando o idoso procura produtos para ter uma vida mais fácil, tingir o cabelo, e não os encontra, vai para outra loja.”

Vale o lembrete, em 1950, diz ele, a expectativa de vida era de 45 anos. Hoje, de 77 anos. “O brasileiro está vivendo mais e as redes devem acompanhar este movimento.”

Para Faro, as perguntas que os varejistas precisam responder são, principalmente.

  • A minha empresa está se preparando para atender os consumidores mais idosos?

  • Quais são os produtos mais demandados na minha loja?

  • Qual o nível de comprometimento dos gastos da minha clientela?

  • A minha loja está competitiva para fidelizar o consumidor?


FONTE: https://dcomercio.com.br/

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