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Custo de vida na RMSP desacelera em março, aponta FecomercioSP

Encarecimento dos transportes foi responsável por quase 70% da alta dos preços no período

No mês de março, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) desacelerou e registrou variação de 0,55%, ante 0,65% de fevereiro. Como esperado e reportado na análise anterior, o grupo dos transportes foi o maior responsável pelo impacto, respondendo por 70% da alta geral — uma elevação de 1,74% no período e 0,37 ponto porcentual (p.p.) para o desempenho geral. Esse cenário é justificado pelo regresso dos impostos federais que incidem sobre os combustíveis. A gasolina, por exemplo, subiu 7,1%, e o etanol, 2,4% em março. Os dados são do levantamento mensal Custo de Vida por Classe Social (CVCS), elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

No primeiro trimestre do ano, a alta acumulada no CVCS é de 1,7%, abaixo dos 2,8% apontados no mesmo período de 2022. Nos últimos 12 meses, o saldo é de 5,16%. De acordo com a Federação, as elevações registradas no terceiro mês do ano nos transportes afetou mais as famílias de renda mais baixa. Para a classe A, o crescimento foi de 1,23%. Por outro lado, a classe E registrou alta de 2,05%, e a classe D, 2,45%.

Alimentos e bebidas

No principal grupo de consumo das famílias, alimentos e bebidas, a variação em março foi de 0,22%, quase a metade do 0,40% em fevereiro. O impacto para o resultado global foi de 0,05 p.p. As frutas contribuíram para o resultado, ao apresentar variações de 13% no preço da uva, 11,4% do mamão e 5,2% da laranja-pera. As hortaliças também seguem tendência positiva, com elevação de 7,2% no preço da alface.

Por outro lado, as carnes ajudaram a conter o aumento, com quedas de 3,8% no contrafilé; 2,6% no patinho; e 1,9% na alcatra. Além desses, outros alimentos que pressionaram o CVCS estão ajustando preços. É o caso da batata-inglesa, que caiu 12,7%, enquanto a cebola apresentou retração média de 6,4%.

Ao contrário do ocorrido com transportes, os números apontados em alimentação e bebidas impactou com mais força as faixas de renda mais elevada. Para a classe A, a elevação no mês foi de 0,31%, ao passo que na Classe E, foi menos que a metade (0,14%). Um grande alívio para o bolso do consumidor com menor poder aquisitivo, sobretudo dentro do principal grupo de consumo, afirma a FecomercioSP.

Saúde pode ser vilã

Outra elevação que persiste no CVCS é na saúde. Em março, o aumento foi de 0,82%, o que gerou participação de 0,10 p.p. para o desempenho global no mês. As altas em serviços como plano de saúde (1,2%), dentista (3%) e médico (1,9%) e nos produtos varejistas de higiene e beleza — como artigos de maquiagem (4,6%) e sabonete (2,6%) — são os maiores responsáveis pela pressão maior no segmento. De acordo com a FecomercioSP, a tendência é de que o grande vilão, em abril, para o bolso do consumidor seja o grupo de saúde, uma vez que, nesse período, há reajustes nos medicamentos.

Consequentemente, é possível perceber, pelo CVCS, que as variações mais expressivas não vêm de um comportamento generalizado. Pelo contrário, o que estão ocorrendo, neste momento, são pressões pontuais e previsíveis. A tendência é de que a desaceleração do indicador persista, arrefecendo até o mês de junho e voltando a subir ao longo do segundo semestre. Para a Federação, o crescimento do custo de vida a um ritmo mais modesto é positivo para se projetar o aumento do consumo, principalmente quando o cenário também aponta para um mercado de trabalho aquecido. Além disso, inflação mais baixa permite um espaço no orçamento para o pagamento de contas em atraso.

Varejo e serviços acumulam alta

O Índice de Preços do Varejo (IPV), da CVCS, acumulou alta de 0,75% em março. Dentre os oito grupos estudados, o de transportes é o que mais pressionou, ao apresentar variação de 2,59%. Elevação também observada no Índice de Preços dos Serviços (IPS), da CVCS, de 0,34% no período. Dentre os oito grupos que compõem o indicador, houve avanço significativo em saúde e cuidados pessoais (1,05%). Habitação foi o responsável pela segunda maior pressão de alta, com variação de 0,24%.

FONTE: fecomercio.com.br

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