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Economistas comentam manutenção da Selic em 13,75% ao ano

Para eles, o Banco Central espera indicações mais precisas do governo sobre a política fiscal, e seus impactos na redução da inflação, antes de começar a reduzir os juros


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano, e sinalizou em comunicado que a taxa pode permanecer nesse patamar elevado por mais tempo que o previsto, não descartando elevações caso a inflação não convirja para o centro da meta.


A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano passado em 5,79%, acima da meta de 3,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com teto de 5%. Para 2023, a meta de inflação está em 3,25%.


“Há sete semanas consecutivas observamos uma revisão para cima das expectativas da inflação para 2023. Atualmente o mercado projeta para este ano inflação de 5,74%, sendo que há um mês era de 5,31%. Ou seja, as expectativas estão cada vez mais distante da meta”, diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.


Segundo ela, as incertezas sobre a política fiscal do governo é que têm feito as expectativas de inflação se distanciarem da meta em horizontes mais longos, sendo que a condução da política monetária pelo Banco Central está acompanhando esse movimento.


“A redução da Selic vai depender das sinalizações em relação às contas públicas, mas ainda não temos muita clareza. Com o início do ano legislativo vamos ver como irão tramitar as pautas importantes que podem influenciar os juros, como a mudança no arcabouço fiscal”, diz Camila.


Para Nicola Tingas, economista da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), embora os comentários do Copom apontem para a possibilidade de alta na taxa Selic, este não é o cenário principal, “mas mostra que o Banco Central está vigilante e vai perseguir a convergência das metas.”


Além disso, o economista diz que o BC estará atento ao comprometimento do novo governo com a redução da inflação, lembrando que a gestão Lula tem questionado as metas atuais previstas para o IPCA. “Neste momento em que há um questionamento a respeito das políticas de metas, se elas são adequadas ou não, precisamos acompanhar a questão da política fiscal, que ainda estimula déficit alto”, diz Tingas.


Essa também é a preocupação de Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest. “É cedo para o BC mudar a trajetória da taxa. Vale destacar que o principal ponto de preocupação da instituição continua sendo o impacto negativo das políticas fiscais na inflação e esse é um dos motivos das apostas do mercado sobre a manutenção da taxa em patamar elevado por um bom tempo ainda”, diz a economista.


JUROS ELEVADOS

A taxa Selic continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano. Essa foi a quarta vez seguida em que o BC não mexe na taxa, que permanece nesse nível desde agosto.


No início de agosto de 2021, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião. Com a alta da inflação e o agravamento das tensões no mercado financeiro, a Selic foi elevada em 1,5 ponto de outubro de 2021 até fevereiro de 2022. No ano passado, o Copom promoveu dois aumentos de 1 ponto, em março e maio, e dois aumentos de 0,5 ponto, em junho e agosto.


Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.


*com informações da Agência Brasil



FONTE: dcomercio.com.br

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