Edtechs: conheça o principal segmento de startups do Brasil


Ainda que a situação do setor educacional seja preocupante em meio à pandemia, é importante observar a superação alcançada por muitas escolas, que se reinventaram, se modernizaram e trouxeram respostas rápidas a uma condição desconhecida. Além disso, o cenário atual abriu espaço para uma maior cooperação entre escolas, Poder Público e startups educacionais, as chamadas “edtechs” (união dos termos education e technology), as quais oferecem, por meio da tecnologia, soluções para o ambiente da aprendizagem, para a gestão educacional e até mesmo para os pais de alunos.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), as edtechs já são o maior segmento de startups no Brasil, representando 17,3% do total. Pelos dados da instituição, há 566 empresas ativas deste tipo no País. Em relação à distribuição geográfica, 58,7% estão localizadas na Região Sudeste, sendo 37,8% no Estado de São Paulo.

As atividades das edtechs não se resumem a criar plataformas para o ensino a distância. A tabela a seguir apresenta o amplo campo de atuação em que elas estão inseridas.

Qualquer que seja a classificação adotada, pode-se encontrar casos de sucesso de negócios já consolidados ou de projetos promissores. Um dos mais conhecidos é o da Arco Educação, a primeira startup brasileira do setor a abrir capital na bolsa norte-americana Nasdaq, em 2018. Na oferta, foram captados quase US$ 200 milhões que financiaram a expansão da companhia e a aquisição de importantes players do setor nos anos seguintes, como o Sistema Positivo de Educação, Sistema COC e o colégio Dom Bosco. Atualmente, a empresa está presente em todos os Estados brasileiros.

Ainda no segmento de plataforma como serviços (Platform as a Service), outro grande player é a Vasta Educação, dona da Somos Educação e que pertence ao Grupo Cogna. A plataforma da Vasta possui dois módulos principais. O Conteúdo & Edtech, que combina um portfolio de marcas consolidadas no setor educacional como o Anglo Sistema de Ensino e editoras Saraiva, Scipione e Ática, referências na publicação de livros didáticos, permitindo que a empresa ofereça conteúdos de qualidade, tanto digital como impresso.

A companhia também tem o módulo de Serviços Digitais, que consolida todo o ecossistema administrativo das escolas integrantes, permitindo que a instituição se preocupe mais com questões relacionadas ao ensino do que aos problemas administrativos.

As edtechs também atuam para facilitar a vida dos pais – como é o caso da Agenda Edu – com o objetivo de simplificar a comunicação entre a escola e os pais, além de reduzir o tempo gasto pelos professores na elaboração dos comunicados. A Agenda Edu é um aplicativo que fornece o calendário dos alunos de forma digital.

Em 2020, a ferramenta ganhou uma nova função, a EduPay, que permite aos pais pagarem despesas escolares (como uniformes, passeios, mensalidades, atividades extracurriculares, etc.) diretamente pelo aplicativo.

Concorrência

Quem deseja se aventurar e investir no ramo das edtechs, já deve ter percebido que a concorrência é grande e que o Brasil é reconhecido como um dos países mais criativos nesse segmento. Em um ranking das cem edtechs mais inovadoras da América Latina, elaborado pela consultoria global de inteligência de mercado educacional HolonIQ, 33 são brasileiras. Nesse sentido, a primeira dica ao empreendedor é estudar o mercado, os principais players, negócios promissores e tentar identificar necessidades/deficiências do setor educacional. As próprias edtechs enxergam oportunidades na área de gestão escolar (rotinas de secretaria), em soluções para a sala de aula, e na elaboração de materiais didáticos adaptados para o ensino remoto e de jovens e adultos.

Em relação aos desafios, o estudo da Abstartups destaca a dificuldade de comunicação do setor com o Poder Público. Apesar de os governos e órgãos como tribunais de contas já reconhecerem os benefícios da tecnologia e da inovação para a educação, os modelos de contrato e licitação frequentemente são moldados para empresas tradicionais, impedindo que as edtechs participem. A FecomercioSP sinaliza que é necessário um modelo mais flexível que contemple as particularidades das startups.

Os destaques do setor

Um balanço, realizado em 2020, pela plataforma de inovação em negócios de tecnologia Distrito, revelou as dez startups que mais se destacaram no segmento de educação, considerando fatores como número de funcionários, faturamento presumido, funding captado e métricas de redes sociais. Veja a seguir.

● Portal Educação, Descomplica e Hotmart, classificadas como plataformas para educação com funcionalidades de ensino a distância e marketplace de aulas e professores.

● Alura, no campo de ensinos específicos (tecnologia, neste caso).

● Educa + Brasil e Editora Sanar, no financiamento do ensino com ações de crédito estudantil, bolsas e crowdfunding.

● Passei Direto, na categoria foco no estudante com soluções para estudo e produtividade, preparação para concursos e vestibulares, além de vocação e carreira.

● Trybe, com novas formas de ensino (focada em cursos de tecnologia/programação, neste caso).

● Arco Educação e a Geekie, no segmento de ferramentas para as instituições direcionadas para gestão, tecnologia para a sala de aula e data analytics para a educação.

Com base nos investimentos captados e visibilidade nas redes sociais, a Distrito também elencou as dez edtechs mais promissoras, sob a condição de terem sido fundadas após 2012 e terem menos de 200 funcionários. São elas: Alicerce Educação; Beetools; Camino Education; Gama Academy; Estante Mágica; Melhor Escola; Agenda Edu e Stoodi.

A FecomercioSP vem debatendo os principais pleitos do setor no Comitê Startups, que reúne grandes players de tecnologia para alinhar e levar ao Poder Público melhorias que precisam ser realizadas constantemente no ambiente de negócios. A Entidade atuou ativamente pela aprovação do Marco Legal das Startups no Congresso e pela sanção presidencial, que ocorreu em meados de maio. Conheça o Comitê.