Elas criaram startup de serviços de beleza em empresas que fatura R$ 7 mi


Apesar de ter atuado durante anos no mundo corporativo, a paulista Cecília Ribeiro, de 35 anos, sempre quis empreender, criar algo com propósito e que facilitasse a vida das pessoas. Com a bagagem que acumulou nas empresas por onde passou, como Unilever e Whirlpool Corporation, ela resolveu fundar seu próprio negócio em 2016: a 3,2,1 Beauty, startup de beleza que oferece serviço em escritórios, condomínios e salões de bairro. "Vivenciar o mundo das companhias antes de empreender foi uma grande escola, pois me deu uma visão da importância da conexão entre as diferentes áreas dentro de uma empresa e o impacto da cultura corporativa no dia a dia do colaborador", afirma Cecília


Como sempre foi próxima dos profissionais de beleza que a atendiam, como manicures e cabeleireiros, ela notou que eles não são bem tratados em muitos salões, com comissionamento baixo e pouca tecnologia por trás do negócio. "Foi aí que pensei em levar inovação a esse mercado. Meu objetivo é empoderar os profissionais de beleza para que mudem de patamar de vida por meio da independência financeira", explica. O negócio começou com o atendimento a empresas. Cecília iniciou alguns projetos nesse sentido, levando profissionais de beleza para os espaços corporativos, com o agendamento e o pagamento feitos online. "Depois elaborei alguns flyers para entregar em frente a um shopping, junto com minha cunhada. Em pouco tempo, consegui distribuir 300. Percebi que havia, sim, uma demanda no mercado por esse serviço dentro das companhias", diz. A empresa ganhou força e, em 2018, houve uma concorrência de um grande banco que queria ter um espaço físico na sede. Para mudar o patamar do negócio, ela foi atrás de uma sócia e a também paulista Luciana Vida, de 46 anos, entrou no negócio. "Foi a junção perfeita: eu, com o expertise corporativo de processos, inovação e marketing. Ela, com a experiência no mercado de beleza e em salões corporativos. Essa complementaridade foi essencial para ter sucesso. As melhores coisas são construídas em conjunto", diz. Isso alavancou os negócios da empresa, que hoje tem clientes como Nubank, 99 Táxi, Natura, Eurofarma, Petrobras e Google, está presente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e já tem 50 salões em espaços físicos, os salões de bairros. A perspectiva de faturamento para este ano é de R$ 7 milhões. A marca também foi listada como empresa número 1 em healthcare do ranking da 100 Open Startups em 2019, como uma das empresas mais atrativas para o mercado corporativo. Em março de 2020, recebeu um aporte de 12 milhões de reais.

Processo de captação em meio a amamentação Cecília, que tem dois filhos, vivenciou o processo de captação de recursos durante o período de amamentação de um deles. "A maternidade amplifica a capacidade de ser uma CEO efetiva. Descobri que, com flexibilidade de horário e uma rede de apoio, é possível equilibrar a agenda pesada de trabalho e a demanda familiar", diz. A empreendedora conta que ela e Luciana foram aprendendo os segredos para conseguir um aporte aos poucos, durante o processo. "No começo erramos muito, pois não mapeamos os fundos que tínhamos interesse e falamos com alguns que não tinham conexão com o nosso negócio. Para que o processo seja, de fato, efetivo, é preciso dar match. Não é só o fundo que escolhe a empresa, os sócios também devem escolher o fundo", diz. Segundo ela, o fato de terem propriedade para falar da empresa, de entenderem as dificuldades do mercado onde atuam e saberem como resolvê-las, foi um dos pilares para conseguir o aporte.

Logo após fecharem com o fundo, a pandemia da covid-19 se intensificou e os projetos dentro das empresas precisaram parar. Mas isso não abalou a dupla, que usou o tempo para reforçar a marca e investir em tecnologia. Em paralelo a isso, elas realizaram um projeto social focado nas manicures, o "Beleza de Mãos Dadas", em parceria com as marcas Risqué, OPI, Vult, Dailus, Colorama e Impala. "Nossa maior preocupação na época foi como os profissionais de beleza iriam se manter. Assim, começamos uma vaquinha com clientes e parceiros e conseguimos levantar R$ 141 mil, 1500 cestas básicas e 40 mil esmaltes", diz.

Assim que as restrições começaram a diminuir e os salões de bairro voltaram a abrir, elas iniciaram um novo projeto denominado Sou321, que utiliza o know-how da startup para tornar os pequenos negócios de bairro mais lucrativos. A companhia entra com suporte de todas as áreas para gerar ganho em escala: processos administrativos, financeiros, recrutamento e seleção, parcerias estratégicas e tecnologia.

"Com este sistema de integração, temos cases com aumento de 375% no faturamento em dois meses", conta Cecília. De acordo com ela, a ideia da 3,2,1 Beauty como agregadora de salão é para que os proprietários realmente deem um salto em seus negócios e consigam se dedicar ao que fazem de melhor, que é a experiência de seus clientes, enquanto a startup facilita as partes burocráticas e de marketing.

Além de um plano de negócios bem estruturado e de entender a fundo o mercado de beleza, as duas reforçam que a resiliência é essencial para uma empresa ter sucesso. "Você precisa acordar todos os dias motivada, sorrindo. Temos um mantra aqui que é de não reclamar, por exemplo", diz Luciana.

Segundo ela, todos temos desafios diários, mas é preciso criatividade e coragem para chegar em mais de uma solução para resolvê-los. Para Cecília, é essencial pensar em trazer a solução e não focar no problema. "Às vezes precisamos tirar leite de pedra, mas não há outra maneira de conseguir sem tentar, sem ir atrás", afirma.

Os planos da empresa são ambiciosos. Há uma lista de capitais brasileiras para levar o negócio e, no futuro, a ideia é expandir para a América Latina, incluindo países como Colômbia, México e Costa Rica.


Fonte: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/12/21/elas-criaram-startup-de-beleza-e-esperam-faturar-r-7-milhoes-este-ano.htm