Em reunião na FecomercioSP, CNC define temas na “linha de frente” para a recuperação do turismo

Lideranças empresariais e de organizações do turismo participaram do encontro, que alinhou diretrizes de desenvolvimento a serem sugeridas aos candidatos presidenciáveis.


O período eleitoral impõe enormes desafios e oportunidades ao setor de turismo e a toda sua cadeia de negócios, que ainda tentam se recuperar dos enormes prejuízos destes últimos anos. Um esforço conjunto promovido pelo setor busca garantir que o cenário seja diferente de agora em diante.

Empresários e representantes de organizações do turismo reuniram-se na FecomercioSP durante encontro organizado pela Confederação Nacional do Comercio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e seu Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), para debater os próximos passos do projeto Vai Turismo – Rumo ao Futuro, um movimento nacional de iniciativa da CNC que busca traçar os caminhos pós-pandemia, além de levar ao Poder Público as pautas mais urgentes da retomada. A ação tem apoio das federações – incluindo a FecomercioSP –, dos sindicatos, do Sesc e do Senac.

Ao longo de vários meses, o projeto tem captado insights diretamente com a cadeia produtiva do turismo nacional, em todo o Brasil, de forma a considerar as características regionais. Estas pautas deram embasamento a uma agenda com mais de 40 diretrizes, estratégias e políticas públicas comuns em cada Estado. De forma geral, elas abarcam pilares como mudanças na legislação, políticas de qualificação, tecnologia e inteligência de negócios, acesso à internet de melhor qualidade, incentivo com microcrédito etc.

A reunião faz parte da terceira fase do projeto para consolidar, com lideranças de entidades e empresariais, as demandas prioritárias a serem apresentadas aos candidatos presidenciáveis nas eleições de 2022, conforme destacou Alexandre Sampaio, diretor responsável pelo Cetur, da CNC. Confira os destaques a seguir.

Desenvolvimento, promoção do turismo e qualificação

As recomendações das lideranças presentes embasam a necessidade de tornar o setor mais sustentável nos médio e longo prazos (de formas econômica, sociocultural e ambiental); desburocratizar a sua capacidade de expansão; desenvolver novos serviços e atrativos turísticos; melhorar a infraestrutura básica, bem como a de telecomunicações; melhorar as condições para capacitação e profissionalização das populações locais; promover o turismo interno; estimular a demanda; garantir mais acessibilidade a serviços e destinos – e também nas contratações –; entre diversos outros pontos.

Um ponto fortemente defendido foi a necessidade de mais inovação, com aproximação de mais startups ao setor como um todo, e criação de laboratórios de desenvolvimento. Também é essencial que o aporte em pesquisas para o setor seja mais consistente por parte do governo, até mesmo para que o País tenha mais participação na recepção de eventos científicos.

Busca-se, também, que o setor, como um todo, tenha um protagonismo maior em deliberações e decisões que afetem toda a cadeia produtiva, principalmente em relação ao tripé desenvolvimento de produtos e serviços, qualificação de profissionais e promoção para gerar demanda.

Orçamento compatível com as necessidades do setor

Uma das propostas debatidas na reunião foi a importância de que as pessoas escolhidas para os cargos de comando do turismo estejam mais alinhadas às necessidades do mercado, bem como estejam cercadas por nomes “técnicos”, e que o Ministério do Turismo consiga um orçamento compatível para desenvolver uma atividade importante ao Brasil em termos de investimentos em atratividade, serviços e infraestrutura.

Para tanto, as propostas buscam evidenciar a transversalidade do turismo, esclarecendo que um maior aporte não se trata de um gasto específico, mas um investimento na capacidade de impactar toda a rede relacionada.

A presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, comentou que a campanha eleitoral de 2022 será sobre emprego e renda, de forma que o investimento em um setor transversal possa ser um caminho aos candidatos para o aumento da ocupação da força de trabalho. “[Precisamos olhar] com dados de emprego e construir uma argumentação em que o candidato, ao apostar em turismo – preservando o orçamento do ministério, respeitando as diferenças locais e estimulando a qualificação –, também incentiva a geração de empregos geograficamente distribuída, a qualificação da mão de obra e o apoio às atividades de destaque da região.”

Outro ponto que Mariana enfatizou, assim como outras lideranças presentes, foi a importância de se ampliar a geração de dados do setor como forma de se ter uma imagem real do seu peso na economia. “Ainda temos muita dificuldade em produzir dados claros e confiáveis a ponto de sermos capazes de parar de repetir que o turismo representa 10% do PIB [Produto Interno Bruto], pois sabemos que fica em torno de 3%; e a pandemia mostrou isso, pois não tivemos uma queda de 10% do PIB, mesmo com o turismo todo parado.”

Melhor ambiente de negócios para realizações internacionais

Na ocasião, também se falou da necessidade de uma melhor política para vistos, voltados a eventos internacionais realizados no País, bem como melhor prospecção de eventos estrangeiros de grande porte, como o festival Lollapalooza (em São Paulo), que conseguem movimentar centenas de milhões de reais ao longo de toda a organização.

Além das propostas a serem apresentadas aos presidenciáveis, o Vai Turismo também deve prosseguir com a mobilização para formação dos planos de governo a serem implementados entre 2023 e 2026. Saiba mais sobre a iniciativa.

Fonte: FecomercioSP.