Envelhecimento populacional é oportunidade para a economia

O pilar etário deveria ser o primeiro a ser trabalhado, pois toda a população vai envelhecer.


Os profissionais maduros podem auxiliar no crescimento dos negócios, especialmente às empresas que buscam retomar os resultados obtidos antes da crise econômica, gerada pela pandemia de covid-19. Isso, porque a experiência dos empregados com mais de 50 anos é uma grande aliada do mercado de trabalho, uma vez que estes profissionais já passaram por diferentes tribulações na política e na economia, superando dificuldades diversas.

O tema foi abordado na reunião do Comitê ESG, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), ocorrida no dia 13 de junho, pela convidada Fran Winandy, pesquisadora, consultora e especialista em diversidade etária e etarismo e autora do livro Etarismo, um novo nome para um velho preconceito.

No encontro, Fran destacou o grande problema da discriminação etária: vagas de emprego, promoções, transferências e treinamentos são negados a certos profissionais em razão da sua idade. De acordo com a especialista, apesar de as empresas não mostrarem interesse em tratar do assunto, o pilar etário deveria ser o primeiro a ser trabalhado, pois toda a população vai envelhecer, independentemente de raça ou gênero.

“Dentro das organizações, existem normas etárias. Se a pessoa tem 20 anos, não será promovida gerente porque é muito novo. Caso tenha 60, tampouco será contratado, porque é muito velho. A questão é que a população está envelhecendo, e ninguém está fazendo nada”, detalhou Fran, enfatizando que, atualmente, um quarto da população brasileira atingiu os 50 anos. A especialista ainda chamou a atenção para que o setor empresarial evite o estereótipo negativo de que a idade avançada é um empecilho à vida das pessoas, assim como à economia de forma geral.

Para Fran, é importante ainda ressaltar que essa parcela da sociedade considerada como “economia prateada” consome produtos, inclusive pelos meios digitais. Essa população representa uma “fatia” de mercado com tendência a crescimento, uma vez que a população está envelhecendo e os mais jovens pensam cada vez menos em ter filhos.

“Dependendo da idade, olha-se para um currículo já com um olhar julgador, mas as raízes do preconceito não têm muita lógica. Os negócios que trabalham com este público obtêm resultados positivos. Como você vai entender qual é necessidade do cliente de 50 anos se não há ninguém na empresa dessa idade? Além disso, que diferença a idade do profissional vai fazer no desempenho de determinada função?”, questionou.

Luiz Maia, coordenador do Comitê ESG, concordou com os pontos levantados na reunião e aconselhou: “O jovem pode ensinar o mais experiente e vice-versa. As empresas podem usar este material humano de excelente qualidade para impedir a barreira existente na transição de uma geração para outra”.

Fonte: FecomercioSP.