FecomercioSP: inflação e desvalorização do real puxam alta da Selic

Aumento da taxa básica de juro seria evitado se o governo fosse mais

incisivo sobre problemas fiscais do Brasil_


O aumento da Selic, a taxa básica de juro da economia brasileira, em

0,75 ponto porcentual, anunciada nesta quarta-feira (17) pelo Comitê de

Política Monetária (Copom), braço do Banco Central (BC) confirma

previsão que já havia sido feita pela Federação do Comércio de

Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP): a

medida vem em um momento de aumento da inflação acumulada e da

desvalorização do real frente ao dólar.


No entendimento da Federação, porém, a taxa poderia ter continuado no

mesmo patamar de antes (2%) se o governo federal tivesse se manifestado

de forma clara ao mercado sobre como resolver os problemas fiscais do

País, o que inclui uma sinalização inequívoca de que não pretende

aumentar impostos para cobrir os gastos da União em meio à pandemia e

de que, além disso, vai cumprir com teto de gastos determinado há

pouco menos de quatro anos.


Adotando essa postura, o governo brasileiro faria com que o real

voltasse a se valorizar frente ao dólar não apenas por meio da

atração de investidores estrangeiros por uma taxa de juro elevada, mas

também apresentando a eles uma política econômica previsível e

estável – favorecendo a demanda agregada, ponto-chave da

recuperação.


Para a Entidade, a mudança – o primeiro aumento em cinco anos e oito

meses, deixando a taxa em 2,75% – é uma reação à alta de 5,20% do

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos 12 meses,

impactado principalmente pela subida de 15% nos preços do grupo de

alimentos e bebidas, o maior gasto das famílias brasileiras.


Nesse sentido, o sinal que o BC manda ao elevar a taxa básica de juro

é que não pode demonstrar fraqueza no combate à inflação: caso

contrário, o receio do mercado com um descontrole dos juros encareceria

ainda mais a dívida e o acesso ao crédito. Logo, ainda que não seja

uma boa notícia aumentar a Selic, ela é melhor do que ver um processo

inflacionário sem controle daqui para frente.


No entanto, a decisão do Copom também diz respeito, principalmente, à

desvalorização que o real vem enfrentando frente à moeda

internacional: com o avanço das commodities brasileiras no mercado

global, os preços do mercado interno acabaram sendo pressionados (como

se vê na alta dos alimentos) fazendo com que o comitê ficasse em um

dilema entre proteger a moeda nacional da inflação e, por outro lado,

incentivar a recuperação da economia – mantendo ou mesmo diminuindo

a Selic.


Nesse sentido, a elevação da taxa se explica: com o disparo do risco

país no começo de 2021, a chegada aos 90% da relação entre a dívida

pública e o Produto Interno Bruto (PIB) e as dúvidas do mercado sobre

o cumprimento do teto de gastos estatais – ainda mais com a demanda

nacional por assistência à população afetada pela crise de covid-19

–, a manutenção da Selic a 2% era inviável e poderia gerar o efeito

oposto ao desejado, pressionando as taxas futuras ao invés de

reduzi-las.


Sobre a FecomercioSP

Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar

o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo,

mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve

soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre

as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão

de empresários, que respondem por quase 10% do PIB brasileiro e geram

em torno de 10 milhões de empregos.