FecomercioSP, por meio do seu Conselho Superior de Direito (CSD), solicitou ao governo federal, endereçando pleito ao presidente da República, na última quinta-feira (25), aos presidentes da Câmara e do Senado, que considerem a possibilidade de não votar, neste momento, as propostas de Reforma Tributária já apresentadas. O principal argumento da Entidade é que as consequências das atuais conjunturas econômica e social causadas pela pandemia ainda são desconhecidas, mas podem gerar mudanças profundas nos hábitos e padrões de consumo e nas funcionalidades das atividades econômicas, o que pode exigir consequente ressignificação do sistema tributário. Além disso, os atuais projetos de reformulação do sistema tributário em trâmite no Congresso Nacional – as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) 45/2019 e 110/2019 e o Projeto de Lei (PL) 3.887/2020 – não levam em conta o impacto sobre preços em alguns setores da economia, como para prestadores de serviços e profissionais liberais; em mensalidades escolares e consultas médicas; para pequenas e médias empresas optantes pelo regime do lucro presumido; setor imobiliário; indústria produtora de alimentos; agronegócio; e, concomitantemente, redução da carga tributária voltada a instituições financeiras e alguns setores industriais. Os projetos têm em comum a opção por alíquota única, o que certamente estimulará a regressividade do sistema tributário. No caso da PEC 45/2019, que concentra a tributação na União, entes subnacionais serão desfavorecidos. No caso da PEC 110/2019, comprime-se a competência tributária da União e dos municípios, o que pode gerar inconstitucionalidade por desrespeito ao pacto federativo. Já o PL 3.887/2020 aumenta significativamente a complexidade na apuração dos impostos e a possibilidade de litígios hoje inexistentes. Há, ainda, o fato de o debate legislativo ser realizado, neste momento, com parte considerável dos parlamentares conectados remotamente, em virtude da necessidade de distanciamento social, e, considerando a importância do tema, é fundamental que seja o cenário de decisões seja sem limitações técnicas. A Entidade sempre foi favorável à simplificação, à modernização e à desburocratização do sistema tributário nacional, que há anos penaliza o empresário e dificulta o ambiente de negócios – no entanto, defende que, primeiro, seja realizada a Reforma Administrativa. Ainda que a PEC Emergencial, aprovada recentemente, tenha o intuito de organização administrativa no País, não atende à necessidade de uma reforma ampla, que atinja todos os Poderes e tenha os impactos significativos e necessários ao redimensionamento das finanças públicas. Além disso, entende que, por motivos humanitários, é imprescindível concentrar todos os esforços na superação da crise sanitária. Para a Federação, portanto, ainda que o atual cenário demande o adiamento da Reforma Tributária, é possível que algumas providências mais urgentes sejam tomadas, como uma solução imediata para a identificação de fonte de financiamento do auxílio emergencial (PEC 186/2019), que poderia ser elaborado mediante projeto de lei voltado a resolução de grandes litígios tributários de curto prazo, tanto pela via administrativa quanto pela judicial. O CDS da FecomercioSP, recomenda, ainda, as iniciativas listadas a seguir, elaboradas por seus especialistas, no sentido de contribuir com as matérias tributárias, enquanto se aguarda o melhor momento para votação e reforma.
Instituir imunidade temporária, por cinco anos, com relação a impostos e contribuições incidentes sobre importação, produção, comercialização, transporte e aplicação de vacinas.
Reparar a mora legislativa com relação à edição das seguintes leis complementares, previstas na Carta Magna e até hoje não editadas, que competem a resolução dos conflitos de competência tributária entre os entes federativos; disciplinamento da incidência do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) nos casos de domicílio no exterior e a concessão e revogação de isenções, incentivos e benefícios fiscais do imposto sobre operações relativas ao ICMS.
Acolher a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no que concerne aos direitos creditórios na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins.
Instituir normas visando à desburocratização tributária, dando curso à tramitação, no Senado Federal, do Projeto de Lei do Senado (PLS 406/2016), que visa à sua desburocratização.
Instituir comissão de especialistas com os objetivos de identificar problemas relacionados ao processo tributário, ao federalismo fiscal e aos vigentes tributos e, em seguida, propor alternativas de soluções.
Sobre a FecomercioSP Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos. Fonte: Assessoria de imprensa FecomercioSP Lilian Michelan – lilian.michelan@tutu.ee (11) 94136-0648 Adriana Gemignani – adriana.gemignani@tutu.ee (11) 96864-3431 Vinicius Mendes – vinicius.mendes@agenciatutu.com.br (11) 94291-8055 Giovana Zulato – giovana.zulato@agenciatutu.com.br (11) 96860-1503 Siga a FecomercioSP: Facebook – www.facebook.com/fecomercio Instagram – www.instagram.com/fecomerciosp/ LinkedIn – www.linkedin.com/company/fecomercio Twitter – www.twitter.com/fecomercio