Inadimplência dos consumidores sobe na Capital com alta dos juros e inflação

Além da elevação do custo de vida, os juros mais altos também contribuem para impulsionar o índice na Capital

A inflação e os juros altos têm impactado no poder de compra dos consumidores e contribuído para o aumento da inadimplência. De acordo com a pesquisa feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), em junho, o indicador de inadimplência da capital mineira registrou crescimento de 0,78% frente a maio. Na comparação anual, a alta chegou a 6,58%.


Mantendo junho como referência, segundo a CDL/BH, a inflação em Belo Horizonte chegou a 11,64% no acumulado de 12 meses. Esta alta tem provocado aumento constante dos preços, causando um impacto negativo na renda e no consumo dos mineiros, o que favorece a inadimplência.


De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o aumento da inadimplência é preocupante. Além do aumento dos juros e da inflação, que reduziu o poder de compras da população, há ainda um consumo reprimido em função da Covid-19. Com a retomada das atividades ao ritmo normal, muitos consumidores têm ido às compras e, sem planejamento, não têm conseguido quitar as dívidas.


“O consumidor ficou com uma demanda reprimida durante a pandemia e, agora, vem suprindo essa demanda e aumentando o consumo. Mas, neste período, os juros e a inflação subiram e muitos consumidores não se atentaram para isso. Houve uma perda do poder de compras e, isso, pode gerar inadimplência. Não é cultura do brasilerio fazer planejamento financeiro. Em muitos casos, o consumidor mantém o mesmo padrão e não percebe que está mais caro e vai criando a inadimplência”.


Ainda segundo a pesquisa, a faixa etária responsável pelo aumento da inadimplência são os adultos entre 18 e 29 anos (55,1%). Nesta faixa etária, o endividamento ocorre, principalmente, pelo uso excessivo do cartão de crédito.


“Com a alta taxa de juros vigente, tem sido cinco vezes mais caro utilizar o crédito. Por este fator e também pela média salarial mais baixa, a população dessa faixa etária tem se endividado progressivamente. O cartão de crédito é a principal forma de pagamento e quando a fatura chega muito alta, muitas vezes, não consegue pagar à vista e parcela. Esta é a pior forma de parcelar. É importante que o consumidor busque alternativas, até mesmo recorra a um empréstimo com juros menores e prazo alongado. Neste momento, é muito importante ter um planejamento financeiro”, explicou Souza e Silva.


Ao contrário dos jovens, os idosos entre 65 e 94 anos foram os que menos contraíram dívidas em junho, 13,09%. Um dos fatores que colaborou para isso foi o pagamento antecipado da primeira parcela do 13° salário, que permitiu quitar as contas e aumentar o poder de pagamento dessa população.


Ao longo de junho, o registro de dívidas entre os sexos foi praticamente igual. Sendo que homens concentravam 3,31% e mulheres, 3,21%.

Em relação às dívidas por CPF, a pesquisa revelou que, em comparação com maio, junho teve um aumento de 1,83% de dívidas por CPF. Comparando junho de 2022 com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 10,28%. As dívidas por CPF estão aumentando devido ao cenário econômico desfavorável, à alta taxa de juros e ao processo inflacionário crescente, que corrompem a renda e comprometem a adimplência das famílias.


Apesar do aumento da inadimplência, para o segundo semestre, que concentra importantes datas comemorativas para o comércio, as expectativas são positivas. O aumento do emprego, pagamento do 13º salário, do auxílio concedido pelo governo federal e também o saque do FGTS são fatores que vão ajudar a capitalizar a população e permitir a quitação de dívidas e a volta à adimplência.


O presidente da CDL/BH, ressalta que a entidade está planejando um ação para que consumidores consigam quitar as dívidas em atraso a juros mais baixos e a prazos mais alongados. Também está no plano oferecer um curso de educação financeira.


Empresas

Já as empresas estão com um melhor controle financeiro. A pesquisa de inadimplência da CDL/BH mostrou que entre as empresas houve uma leve retração de 0,27% na inadimplência em junho frente a maio. Já em relação ao mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 3,65%.


O número de dívidas por CNPJ aumentou 0,08% no comparativo anual. Na análise mensal, também observou-se um aumento de 0,03% no número de dívidas.


O setor com menor número de dívidas no mês de junho foi a Agricultura, com retração de 0,84% na inadimplência. Já o maior índice de empresas devedoras está no setor de Serviços com aumento de 0,78%. O Comércio registrou aumento de 0,35% e a Indústria 0,2%. As principais dívidas desses setores ocorre pelo custo operacional de água e luz, com 0,98% de negativação e comunicação, com 0,49%.


“A retomada das atividades e do consumo tem favorecido as empresas. Com um volume de vendas maior, estão conseguindo se organizar, fazendo o planejamento e uma melhor gestão. Isso é muito bom porque favorece o aumento da empregabilidade, gera renda e ajuda a reduzir a inadimplência”, explicou o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.


FONTE: diariodocomercio.com.br