Maioria das empresas não trabalha com expectativa de redução da inadimplência

Pesquisa da Boa Vista mostra que apenas 35% dos empresários esperam recuo desse indicador financeiro até o final do ano


Somente 35% dos empresários brasileiros acreditam que a inadimplência irá recuar até o final de 2022. O dado faz parte de pesquisa da Boa Vista realizada ao longo do segundo trimestre. O mesmo levantamento, realizado no primeiro trimestre, mostrava que 41% dos entrevistados tinham expectativas de queda.

"Os cenários interno e externo ajudam a explicar essa redução do otimismo em relação à inadimplência. A guerra entre Rússia e Ucrânia e o receio, quase constante, de um novo lockdown na China comprometem as cadeias de produção e também as vendas, já que os produtos chegam mais caros aos mercados. Internamente, a inflação dos bens e a taxa de juros são elevadas e isso inibe a expectativa de queda da inadimplência enquanto o cenário macroeconômico se mostrar desfavorável", afirma Flavio Calife, economista da Boa Vista.

A maioria das empresas ouvidas (39%), entretanto, ainda crê em estabilidade, enquanto 26% creem em aumento da inadimplência.

Assim como no primeiro trimestre, a maioria das empresas segue otimista em relação ao aumento do faturamento em 2022. 74% esperam crescimento, enquanto apenas 13% creem em estabilidade e outros 13%, em queda.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2022, os números seguem semelhantes, já que no trimestre anterior eram 75% os que esperam em faturamento maior.


INVESTIMENTOS

A pesquisa aponta ainda que 68% dos empresários consultados pretendem aumentar os investimentos em seus negócios até o fim de 2022. No trimestre anterior, estes eram 69%.

Sobre novos investimentos em produtos e serviços, 72% das empresas planejam aumentá-los até o fim de 2022. Em tecnologia, são 68%. Em capacitação de mão de obra, 66%. Em relação a investimentos em insumos e matéria-prima, 63% acreditam em aumento.

Junto à necessidade de investir para gerar crescimento, o estudo também apresenta que 53% dos empresários esperam diminuição relevante no nível de endividamento de suas empresas; 27% acreditam que os índices devem se manter os mesmos, e outros 20% apostam no seu aumento.


CRÉDITO

O estudo também mostra estabilidade na intenção de demanda por crédito. Nesse segundo trimestre de 2022, 66% afirmaram que buscarão crédito no mercado, ao passo que 34% não tem a mesma intenção, os mesmos números registrados pela Boa Vista no trimestre anterior.

Entre os 66% que vão solicitar crédito, 56% o farão para realizar investimentos, 27% para garantir o capital de giro e 17% usarão o crédito para o pagamento de dívidas já assumidas.

A pesquisa realizada pela Boa Vista foi baseada em um questionário estruturado, aplicado no segundo trimestre de 2022, em cerca de 500 empresas, representantes dos principais setores econômicos. O índice de confiança é de 90% e a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.


FONTE: Diário do Comércio.