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Na pandemia, estado de SP abre mais loja do que fecha

Levantamento da CNC revela aumento de 2% no número de lojas em 2021 em relação a 2019, incluindo as virtuais. Em Louveira, alta é de 43%. Na capital, o Brás foi o bairro que mais abriu loja e Pinheiros, o que mais fechou


Quase três anos depois de uma pandemia que fechou o comércio durante meses, a sensação que se tem ao andar pelas ruas é de que o número de lojas despencou nos último dois anos.


Mas levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio), com base nos últimos dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, mostra o contrário.


No final de 2021, havia 608.332 lojas no estado de São Paulo, número 2% maior do que o de 2019 (596.554) e 0,7% maior do que o de 2020 (603.919).


Esses números consideram a CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). Neste caso, as empresas do setor do comércio cadastradas no Ministério do Trabalho.


Como não há distinção entre lojas físicas e on-line, pode ser que o número de 2021 tenha sido impulsionado pela abertura de lojas virtuais, de acordo com Fábio Bentes, economista da CNC.


Feita essa ressalva, os dados mostram que o comércio de artigos de uso pessoal e doméstico foi o que mais cresceu, com a abertura de 3.293 lojas no estado de São Paulo, no período.


Em segundo lugar vem o setor de hipermercados e supermercados, com 2.738 lojas, seguido de material de construção (2.458), farmácia e perfumaria (2172) e automotivo (1.645).


Coincidentemente, são esses setores considerados essenciais, que se destacaram, especialmente no início da pandemia, com as restrições para a circulação de pessoas.

Em situação oposta, os setores que registraram maior fechamento de lojas no Estado foram os de livraria e papelaria (-970), que já não vinham bem, e vestuário e calçados (-639).


“O consumo essencial sustentou a abertura líquida de lojas físicas e on-line”, diz Bentes.


O setor de hipermercados e supermercados registrou alta de 2,4% no número de lojas, no período. Artigos de uso pessoal e doméstico, de 2,5% e, de material de construção, de 2,7%.


O setor de informática, que registrou alta de 2,5% no número de lojas, pode refletir, em parte, de acordo com Bentes, a expansão de lojas virtuais. “Os dados misturam loja física e virtual.”



Na cidade de São Paulo, o Brás foi o bairro que mais abriu lojas (528) em 2021, na comparação com 2019. Outros bairros que se destacam em número de lojas abertas, no período, são: Canindé (236 lojas); Vila Leopoldina (111); Mooca (101); Bom Retiro (84); Higienópolis (82); Vila Formosa (78); Parque novo mundo (74); Parque São Domingos (52); Belenzinho (48); Paraisópolis (47); Parque Mandaqui (45); Pari (44); Itaim Bibi (35); e Barra Funda (20 lojas).


Ao contrário, alguns bairros que se destacam com maior fechamento de lojas, no período, são: Pinheiros (-144 lojas); Centro (-141); República (-137); Vila Mariana (-111); Indianápolis (-101); Jardim Paulistano (-84); Sé (-73); Imirim (-63); Santo Amaro (-61); Jardim das Acácias (-57); Lapa (-52); Consolação (-47); Perdizes (-41); Liberdade (-30); Capão Redondo (-25); e Jardim Paulista (-21 lojas).


NO INTERIOR

Considerando os municípios paulistas com mais de mil lojas, a cidade que registrou maior aumento no número de lojas, de 43%, foi Louveira, com 536 lojas a mais.


Outros destaques são: Ibitinga, a capital nacional do bordado, com expansão de 35% ou 392 lojas a mais; Franca (15%, com 956 lojas a mais); São Bernardo do Campo (8%, com 734 lojas a mais); Santo André (7%, 683 lojas a mais); Itaquaquecetuba (14%, com 336 lojas a mais); e São Caetano do Sul (10%, com 305 lojas a mais).


Para Bentes, uma das explicações para o crescimento no número de lojas em Louveira é a concentração de empresas de logística na cidade.


“Centros de distribuição acabam fomentando a economia dos locais onde estão instalados, com impacto em lojas satélites”, diz Bentes.

No primeiro semestre deste ano, o grupo Mirassol, empresa de logística localizada na cidade, abriu 150 vagas para diversas funções na empresa em transporte, armazenagem e tecnologia.

O agronegócio, setor que vai bem no Brasil, pode também ter impulsionado o comércio em regiões nas quais se destacam as produções agrícolas.


Para Marcos Hirai, fundador do Núcleo de Desenvolvimento de Expansões Varejistas (NDEC), cidades distantes até 100 km da capital estão também usufruindo da descentralização dos escritórios.


“A pandemia mudou o eixo do trabalho. O número de pessoas na cidade de Itu, por exemplo, aumentou cerca de 30%”, afirma.


Aliás, o número de lojas em Itu subiu 5% ou 105 estabelecimentos comerciais a mais em 2021, na comparação com 2019.


Em Atibaia, a alta foi de 5% (127 lojas a mais) e, em Barueri, de 8% (333 lojas a mais).

Cidades mais dependentes de turismo, como Aparecida do Norte e Barretos, já se destacam como os municípios com maior número de lojas fechadas em dois anos.


Em Aparecida do Norte, a redução no número de lojas foi de 19% ou de 251 estabelecimentos comerciais e, em Barretos, de 7%, com o fechamento de 158 lojas.


Outros municípios que registraram fechamento de lojas, no período, são: Pindamonhangaba (11%, com fechamento de 188 lojas); Lins (8%, com fechamento de 93 lojas); Monte Alto (6%, com fechamento de 79 lojas); Lorena (7%, com fechamento de 82 lojas); Jaboticabal (7%, com fechamento de 86 lojas); Dracena (7%, com fechamento de 70 lojas); Guaratinguetá (6%, com fechamento de 104 lojas); e São Carlos (6%, com fechamento de 248 lojas).


Para Bentes, cidades como Aparecida do Norte e Barretos, praticamente vivem de turismo.

Com a pandemia, parte dos fieis deixaram de visitar o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Aparecida. Situação parecida aconteceu com a Festa do Peão de Barretos.

“Os números contam exatamente a história do impacto da pandemia nas cidades”, diz Bentes.


POR PORTE

Os dados da RAIS também revelam que empresas de porte médio, com 50 a 99 empregados, sofreram mais com a pandemia do que as grandes e as micro empresas.


O número de lojas médias diminuiu 1,2% em 2021, na comparação com 2019.


No caso das grandes, com mais de 100 empregados por loja, houve alta de 2,6% e, das micro, com até nove funcionários, de 2,1%.


Para Bentes, ainda não é possível dizer que se esses dados expressam alguma tendência, isto é, uma redução do número de lojas médias daqui para a frente. “Pode ser algo pontual.”



FONTE: dcomercio.com.br

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