Nova era no espaço: turismo, bilionários e um mercado promissor


(Laura Forczyk / EXAME/Divulgação)

Musk, Bezos e Branson vêm solidificando uma nova era para a corrida espacial. Antes entre países, agora a briga é entre empresas e seus donos bilionários.

A competição não é à toa: atualmente, a indústria espacial global tem receita avaliada em 350 bilhões de dólares e a expectativa é que o mercado da exploração espacial ultrapasse 1 trilhão de dólares em 2040, de acordo com dados da Morgan Stanley, empresa global de serviços financeiros.


As coisas mudaram desde que Neil Armstrong pisou na Lua. Foram décadas de avanços científicos nos Estados Unidos e na Rússia, impulsionados pelo conflito da Guerra Fria, para conseguir explorar o espaço por meio de satélites artificiais, sondas e, eventualmente, uma viagem tripulada para o satélite lunar.


Antes por soberania internacional, hoje o voo espacial começa a ser visto mais e mais como uma opção que pode ser comercializada. Para os fundadores da SpaceX, Virgin Galactic e Blue Origin, tornar sua empresa pioneira neste vasto mercado na próxima década fará toda a diferença. O primeiro passo? Turismo espacial.

Neste último domingo, 11, Richard Branson se tornou o primeiro CEO a viajar até o espaço na nave da própria empresa, a companhia aeroespacial Virgin Galactic. O empresário viajou 80 quilômetros acima da Terra nove dias antes do bilionário Jeff Bezos, que planeja fazer o mesmo na próxima terça-feira, 20, a bordo da nave da sua empresa Blue Origin.


Bezos terá a companhia de seu irmão, a pioneira da aviação Wally Funk e um jovem de 18 anos, quebrando dois recordes ao mesmo tempo: pessoa mais velha e pessoa mais nova a viajar ao espaço. Mesmo perdendo o primeiro lugar para a Virgin Galactic, a viagem do fundador da Amazon terá mais uma pequena vitória: Bezos irá 20 quilômetros além do que Branson foi, chegando a 100 quilômetros acima do planeta.


O terceiro competidor, Elon Musk, ganha destaque de outra forma: o fechamento de um contrato milionário entre a SpaceX e a Nasa. Vencendo contra a Origin e a Galactic, a empresa irá construir a nave para a missão Artemis, cujo objetivo é enviar a primeira mulher e a primeira pessoa negra à Lua em 2024. A SpaceX não está fora do turismo espacial e tem planos de realizar o primeiro voo ainda em 2021.


Alguns venceram as batalhas, mas quem vencerá a guerra? Para Laura Forczyk, especialista em indústria espacial, fundadora da empresa de consultoria espacial Astralytical e autora do livro “Rise of the Space Age Millenials”, o momento não é de competição, e sim de otimismo: o crescimento de empresas privadas em um setor até então dominado por agências governamentais indica diversidade, maior conhecimento científico e a expansão da indústria espacial.


Fonte: exame.com | Por Laura Pancini