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Padronização global IA pode ser caminho ser seguido todo mundo, em vez de regulamentação muito densa

Reunião na FecomercioSP destaca os avanços da tecnologia nos negócios, o tratamento a ser buscado pelos países e a situação da legislação brasileira

A necessidade de se chegar a um consenso e se buscar uma convenção em torno do impacto da Inteligência Artificial (IA) sobre o trabalho, de modo a evitar uma “tragédia” social, são alguns dos preceitos compartilhados pelos 186 países que compõem a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ivo D’allacqua Junior, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que representou o Brasil na 111ª Conferência Internacional da OIT (na Suíça), alerta para o fato de que o debate de uma transição justa ganhará muita força no mercado laboral nos próximos anos.

“Trata-se de um início de discussão para construção de uma recomendação e de uma convenção. Há uma sensação, entre os 186 países, de que essas transformações, que estão vindo com tamanha velocidade, vêm para ficar e mudar tudo. A proposta de uma transição justa é para se tentar manter dentro do mercado de trabalho todas as pessoas, ainda que desde já não existam vagas para todos que estão na força de trabalho. Se a transição não for bem executada, poderá gerar uma tragédia do ponto de vista social. Se bem-feita, trará muitos benefícios”, ponderou o vice-presidente, em reunião recente com empresas, para debater a IA, na FecomercioSP. “Participamos com conforto na conferência, pois este olhar para o futuro está sendo tratado há muito tempo dentro da Federação.“

Essa realidade requer mudanças significativas nas funções e nas responsabilidades de milhões de profissionais. “Como estamos vivenciando uma das mais importantes revoluções tecnológicas, com incorporação explícita da IA no trabalho, precisamos tratar com urgência da formação, da adaptação e da requalificação de gestores e das equipes”, enfatizou.

Uso eficiente e regulamentação da IA

Na reunião, Rony Vainzof, consultor da FecomercioSP, abordou os tópicos relacionados à regulamentação da tecnologia e o melhor uso pelas empresas. Vaizof destacou que toda experiência humana se transforma em dado hoje em dia, então, é fundamental que os negócios saibam mapear riscos e possibilidades envolvendo a informação do consumidor, da concorrência e das virtudes e deficiências do próprio empreendimento.

Para as pequenas empresas, a IA se apresenta como uma oportunidade de muitas formas. Vainzof pontuou que há a possibilidade de, por exemplo, por meio do ChatGPT, desenvolver presença online, gestão de redes sociais, otimização de processos financeiros, desenvolvimento de marca com identidade visual, campanhas, estratégia de posicionamento, criação de conteúdo, entre outras. “A ferramenta é um ‘copiloto’ do ser humano. Isso, para o pequeno empresário, é muito relevante, mas é preciso ter muito conhecimento do próprio negócio.”

Já em relação ao tratamento que a IA receberá no Congresso brasileiro, o consultor ressaltou que uma das preocupações muito debatidas com as empresas nos conselhos da FecomercioSP é a regulamentação de direitos, e não da tecnologia. “A IA é uma tecnologia de propósito geral que pode ser utilizada para as mais diversas finalidades. É diferente de privacidade e proteção de dados, que é um direito. Temos de ter cuidado ao regular isso. Talvez a regulação da IA se aproxime muito mais da regulação da internet do que da de proteção dados pessoais.”

Conforme Vainzof lembrou, a IA se insere em diversos campos, de forma que não pode violar a proteção de dados, pois isso envolve a LGPD. Caso seja utilizada na relação de consumo, haverá a garantia da proteção prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC) — e caso gere lesão, será aplicada a teoria da responsabilidade já prevista no Código Civil. “Precisamos, primeiro, estressar as legislações já em vigor. Isso vale inclusive para o regime de responsabilidade civil. Não precisamos de um novo, já temos todas essas defesas à sociedade. É mais o caso de uma padronização global do que uma regulamentação mais densa.”

Para as empresas, Vainzof enfatizou ser essencial que gestores conheçam as tecnologias de IA para saber como avaliar riscos e mitigá-los de forma adequada. “A falta de revisão humana pode se tornar um problema grave”, explicou. “Deve-se buscar extrair o melhor de humanos e máquinas e entender a importância da complementariedade, não da substituição”, concluiu.

Negócios serão fortalecidos com a IA, mas setores precisam estar preparados

Durante a reunião, Andriei Gutierrez, coordenador do Conselho de Economia Digital e Inovação da FecomercioSP, explicou como a IA já está enraizada na transformação econômica do mundo. “A sociedade, predominantemente industrial, está migrando para uma predominantemente digital. As máquinas estão ficando mais eficientes que os humanos para processar informações. Será cada vez mais indispensável às empresas utilizarem tecnologias de IA para entender a realidade e tomar decisões baseada em dados.”

Nesse cenário, o consumo também está em transformação — que, segundo Gutierrez, abarcará cada vez mais os serviços digitais, com tecnologias avançadas ao alcance de todos. “Ao mesmo tempo que teremos muitos novos serviços, precisamos pensar se as nossas organizações e o nosso setor estão preparados para sobreviver a esse ‘tsunami’, bem como o que podemos fazer enquanto coletivo de empresários”, argumentou o coordenador.

Para as empresas, sobretudo a loja física e o pequeno negócio, as oportunidades são enormes: as gestões de estoque, financeira, de pagamentos, de funcionários e de salários, além de relacionamento com clientes, vendas, manutenção predial para qualidade do produto e logística são dimensões que podem ter uma interface de apoio de IA.

“Em pouco tempo, a venda poderá ser feita por chatbot. O cliente poderá perguntar pelo WhatsApp a característica do produto e se atende às suas necessidades. A IA conseguirá responder e fazer parte do que um vendedor faria, até mesmo negociando o preço. Também pode auxiliar na compra do produto para o estoque a partir do padrão de consumo da sua loja. Isso tudo é questão de tempo”, lembrou Gutierrez.

Outro ponto que alertou é a respeito do uso com precaução das ferramentas que já existem, como o ChatGPT. O coordenador do conselho defendeu que as empresas não deixem de checar se os direitos autorais e a propriedade intelectual estão sendo respeitados pela tecnologia, inclusive a veracidade das informações na hora de criar produtos, imagens e vídeos.

Por fim, Gutierrez ressaltou que há um debate fundamental acerca das políticas que a sociedade adotará, quanto à tecnologia, para uma transição suave no ambiente laboral. A FecomercioSP está criando um Grupo de Trabalho (GT) para compreender a transformação em curso na estrutura produtiva.

FONTE: fecomercio.com.br


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