Participação do varejo na LR de óleo de cozinha usado aumenta chances de fidelizar cliente


O aumento no interesse dos consumidores, na atualidade, por ações ligadas à sustentabilidade traz uma oportunidade para os varejistas que aderirem ao sistema de Logística Reversa (LR) de óleo de cozinha usado no Estado de São Paulo.

“O empresário deixa de sofrer autuações e penalidades, ganha mais visibilidade e um valor de sustentabilidade agregado à marca à medida que preserva os recursos naturais e protege o meio ambiente com baixo custo”, afirma Alexsandra Ricci, assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade (CS).

Os detalhes do programa, assim como os benefícios e as responsabilidades da participação, foram apresentados, no dia 15 de outubro, no webinário A Importância da Adesão do Varejo e os Benefícios do Descarte Adequado para a Sociedade e o Meio Ambiente, organizado pelo CS da FecomercioSP, em conjunto com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e o Sindicato da Indústria de Óleos Vegetais e seus Derivados do Estado de São Paulo (Sindóleo).

Formas de adesão

O produto, um dos mais utilizados no preparo dos alimentos da população brasileira, faz parte de um sistema de logística reversa em funcionamento que permite a participação do varejo de duas formas distintas.

Em uma delas, para atuar como Ponto de Entrega Voluntária (PEV), o comerciante deve:

*Realizar parceria com fabricante ou importador; *Ceder espaço gratuitamente para instalação dos coletores em local coberto, visível e de fácil acesso aos clientes (evitando ações de vandalismo); *Receber e armazenar o óleo de cozinha usado descartado pelos consumidores; *Divulgar o sistema na loja ou nas mídias sociais e canais digitais; *Treinar, no mínimo, 01 funcionário para: - Orientar os consumidores sobre o descarte do óleo de cozinha usado; - Solicitar, autorizar e acompanhar a retirada do óleo descartado na loja.

Importante destacar que os fabricantes instalam as bombonas e ficam responsáveis pelos custos com transporte e destinação do resíduo. Isso significa que não há custos para o varejo.

Outra forma de adesão é como Ponto de Divulgação (PD), ou seja, sem instalação da bombona nem parceria com o fabricante. Neste caso, o estabelecimento atua como um divulgador do sistema e a importância do descarte correto de óleo de cozinha pós-consumo. O varejista assina um termo de adesão ao sistema, no site da FecomercioSP, e passa a ter acesso a um enxoval de comunicação destinado ao consumidor com peças para divulgar na loja física e/ou nas mídias sociais e nos canais digitais.

“É importante implementar, na prática, esse resíduo no conceito de economia circular com a LR e a participação do varejo nessa iniciativa é fundamental como um difusor do programa para que o consumidor final leve o óleo de cozinha usado para os PEVs”, diz André Nassar, presidente da Abiove.

Legislação e objetivos

O óleo de cozinha não faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)Lei 12.305, de 2010, mas no Estado de São Paulo a Resolução 045/2015 da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP incluiu o óleo de cozinha usado no rol de produtos pós-consumo sujeitos a logística Reversa, resultando no Termo de Compromisso, assinado em dezembro de 2020.

“O objetivo está em reduzir o prejuízo para os sistemas de tratamento de água e esgoto – e até para o lixo comum, ao incentivar a retirada do resíduo, que naturalmente seria despejado em encanamentos e no esgoto domiciliar. O sistema, então, contribui para uma melhor manutenção de toda a rede e o aproveitamento dos recursos naturais. O desafio é que esse sistema continue a ampliar a rede de coleta para mais municípios, e com maior número de coletores, a fim de evitar que esse óleo de cozinha usado seja descartado de forma inadequada”, explica Lia Helena Demange, gerente da Divisão de Logística Reversa e Gestão de Resíduos Sólidos da Cetesb.

Evolução do sistema de LR

Cindy Moreira, coordenadora de Sustentabilidade da Abiove, lembra que o programa existe desde 2012 e que, no início, em 2013, o sistema tinha apenas 240 pontos em todo o Estado. Em 2019, a Apas e a FecomercioSP passaram a integrar o sistema; o ano de 2021 vai terminar com a meta cumprida de 1,55 mil pontos de coleta no território paulista. No encontro com empresários, ela destaca a evolução do programa e as metas a serem alcançadas nos próximos anos. Confira a seguir.

Metas de recolhimento e de instalação de PEV

2021: 700 mil litros e 1,55 mil PEVs.

2022: 800 mil litros e 1,6 mil PEVs.

2023: 900 litros e 1,7 mil PEVs.

2024: 1 milhão de litros e 1,85 mil PEVs.

Metas geográficas (pelo menos 1 PEV por município)

2021: atender a 100% dos municípios com mais de 90 mil habitantes.

2022: atender a 100% dos municípios com mais de 80 mil habitantes.

2023: atender a 90% dos municípios com mais de 70 mil habitantes.

2024: atender a 100% dos municípios com mais de 70 mil habitantes.

Elencamos sugestões para quem pretende aderir ao sistema e respondemos as principais dúvidas dos empresários sobre o tema; confira aqui após breve cadastro.