PIB nacional cresce 1,2% no segundo trimestre

O período de abril a junho foi marcado pela recuperação do setor de serviços, que tem grande peso no PIB e cresceu 1,3% | Crédito: Charles Silva Duarte / arquivo dc

São Paulo/Rio de Janeiro – A economia brasileira cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre de 2022, impulsionada pela recuperação do setor de serviços e aumento do consumo das famílias e dos investimentos, mantendo o ritmo visto no início do ano apesar da inflação e dos juros elevados. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve alta de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, após crescimento de 1,1% entre janeiro e março, no quarto trimestre seguido de taxas positivas.


O resultado divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou acima da expectativa em pesquisa de Reuters de um ganho de 0,9% e mostrou aceleração do crescimento desde o recuo de 0,3% visto no segundo trimestre de 2021.


Com isso, o PIB avançou 2,5% no primeiro semestre do ano frente ao mesmo período de 2021, e a atividade econômica está 3,0% acima do patamar pré-pandemia, visto no quarto trimestre de 2019, de acordo com o IBGE. Também atingiu o segundo patamar mais alto da série, atrás apenas daquele alcançado no primeiro trimestre de 2014.


Na comparação com o segundo trimestre de 2021, o PIB teve avanço de 3,2%, ante expectativa de alta de 2,8% nessa base de comparação.


As expectativas para a economia brasileira neste ano vêm melhorando, enquanto as projeções para o PIB em 2023 seguem em declínio, em um ambiente de políticas monetária e fiscal em direções opostas – enquanto a primeira busca arrefecer a economia com juros elevados, a segunda dá sustentação à demanda no curto prazo.


Consumo O período de abril a junho foi marcado por um crescimento forte dos serviços, com peso de 70% na economia, mas também da indústria.


“O que mais puxou (o PIB) foi serviços, por conta da retomada do setor com mais viagens, alimentação e hospedagem. Tem também uma demanda reprimida depois de dois anos de pandemia, e o transporte de passageiros mostra isso”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.


O setor de serviços mostrou avanço de 1,3% no segundo trimestre, acelerando ante a taxa de 1,1% do período anterior, ainda favorecido pela retomada das atividades presenciais que estavam represadas durante a pandemia.


Ainda do lado da produção, a indústria cresceu 2,2% e marcou o segundo resultado positivo consecutivo, além da taxa mais alta para o setor desde o terceiro trimestre de 2020 (14,7%), quando estava em franca recuperação dos efeitos da pandemia.


Por sua vez, a agropecuária mostrou expansão de 0,5% no segundo trimestre, ainda sem recuperar totalmente a perda de 0,9% dos três primeiros meses do ano e impactada com força pela retração na produção da soja.


“Este ano a agropecuária está sendo afetada pela soja por conta dos problemas climáticos no Centro-Sul. A previsão para a soja é de queda de 12% no ano”, disse Palis.


Já do lado das despesas, o destaque foi a expansão de 2,6% dos gastos das famílias, maior alta desde o quarto trimestre de 2020 (3,1%), resultado relacionado ao crescimento dos serviços prestados às famílias.


Além disso, no início do ano a economia foi favorecida pela liberação de saques extraordinários do FGTS, antecipação do 13º de aposentados e pensionistas e o Auxílio Brasil.


“Podemos dizer que houve uma melhora no mercado de trabalho, que aumentou a massa de rendimento apesar do rendimento real ainda estar em queda. Há crescimento no crédito, mesmo com a Selic mais alta”, explicou.


Investimento

Já a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, apresentou alta de 4,8% no segundo trimestre, recuperando a contração de 3,0% de janeiro a março, diante da retomada das atividades de construção e de informação e comunicação.


Em relação ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços encolheram 2,5%, enquanto as importações dispararam 7,6%.


Nos próximos meses, condições financeiras mais apertadas devem pesar sobre a atividade, mas seus efeitos tendem a ser atenuados pela melhora do mercado de trabalho e medidas de auxílio do governo, adiando os impactos mais significativos do intenso aperto da política monetária, que tirou a taxa básica de juros da mínima de 2% para a taxa corrente de 13,75% ao ano.


O País ainda encara incertezas relacionadas à eleição presidencial de outubro, à política macroeconômica a ser seguida pelo governo do presidente a ser eleito e a desafios provenientes do cenário internacional.


Enquanto o mercado vê crescimento do PIB de 2,10% e 0,37% respectivamente em 2022 e 2023, o governo calcula altas de 2,0% e 2,5%.


FONTE: diariodocomercio.com.br