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Produção industrial fecha 2022 com queda de 0,7%, diz IBGE

Segundo o instituto, 17 dos 26 ramos industriais terminaram o ano com desempenho negativo


A produção industrial ficou estável em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, informou nesta sexta-feira, 3/02, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a dezembro de 2021, a produção caiu 1,3%. No acumulado do ano, a indústria teve queda de 0,7%.


Com a estabilidade na passagem de novembro para dezembro de 2022, a produção industrial registrou queda de 0,5% no quarto trimestre do ano passado, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.


Na comparação com o quarto trimestre de 2021, a produção industrial dos três últimos meses do ano passado registrou alta de 0,5%.


Segundo o gerente da Coordenação de Indústria do órgão, André Macedo, há um claro movimento de perda de intensidade na atividade da indústria ao longo de 2022.


No terceiro trimestre do ano passado, a produção havia caído 0,3% ante o trimestre imediatamente anterior. No segundo trimestre, houve crescimento de 0,8% e, nos três primeiros meses de 2022, alta de 0,5% na produção, sempre na comparação com trimestres imediatamente anterior.


Na visão de Macedo, os resultados positivos do início do ano passado, quando a produção industrial cresceu entre fevereiro e maio, foram marcados por uma demanda mais aquecida, impulsionada pelas "medidas de incremento da renda implementadas pelo governo".


Macedo citou como exemplos as antecipações do pagamento do 13º salário de beneficiários do INSS, saques do FGTS, a elevação dos valores do Auxílio Brasil, como era chamado o programa federal de transferência de renda para os mais pobres, e auxílios pontuais para caminhoneiros e taxistas, afetados pelo encarecimento dos combustíveis. "Muitas delas tinham caráter pontual", afirmou Macedo.


Segundo o pesquisador do IBGE, o esfriamento da demanda comandou a perda de intensidade na atividade da indústria a partir de meados do ano passado.


Uma "série de fatores" freou a demanda, disse Macedo. Entre eles estão os juros em elevação, o que torna o acesso ao crédito "mais caro e mais difícil", a inflação mais elevada, especialmente de alimentos, "o que reduz a renda disponível", e a inadimplência e o endividamento em crescimento.


Mesmo a melhora no mercado de trabalho, lembrou Macedo, foi "marcado pela precarização". Ou seja, a melhora no mercado de trabalho não foi acompanhada de crescimento mais pujante na massa de salários, o que também impede um fôlego maior para a demanda.


"Todos esses fatores ajudam a entender a razão pela qual a produção mostra menor intensidade no segundo semestre (de 2022). Além disso, tivemos um ambiente de incerteza, que afeta decisões de investimentos e consumo", afirmou Macedo.


Com o desempenho de dezembro, a produção industrial ficou 2,2% abaixo do nível atingido em fevereiro de 2020, o último mês antes da pandemia de covid-19 se abater sobre a economia do País.


Na comparação com o nível recorde da série histórica da PIM-PF, atingido em maio de 2011, a produção de dezembro de 2022 ficou 18,5% abaixo.


POR SETOR

A queda de 0,7% na produção industrial em 2022 ante 2021 foi verificada em 17 dos 26 ramos industriais.


Conforme o órgão federal, as principais influências negativas no desempenho agregado da indústria foram registradas pelas indústrias extrativas, com queda de 3,2%, pelos produtos de metal, cuja produção tombou 9,0%, pela metalurgia, com recuo de 5,0%, pela fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que despencou 10,7%, e por produtos de borracha e de material plástico, com queda de 5,7%.


"Vale destacar também as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de produtos de minerais não metálicos (-5,1%), de produtos têxteis (-12,8%), de móveis (-16,2%), de produtos de madeira (-12,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-8,4%) e de máquinas e equipamentos (-2,3%)", diz a nota divulgada pelo IBGE.


Na contramão do desempenho negativo, o destaque entre as nove atividades que terminaram 2022 com aumento na produção foi a fabricação de "coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis", que avançou 6,6%, "a maior influência na formação da média da indústria", informou o IBGE.


"Outros impactos positivos importantes foram registrados por produtos alimentícios (2,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%), outros produtos químicos (2,3%), celulose, papel e produtos de papel (3,1%), bebidas (3,0%) e outros equipamentos de transporte (12,9%)", diz a nota do instituto.


Mesmo assim, todas as grandes categorias econômicas da indústria terminaram 2022 com desempenho negativo. Os bens de consumo duráveis registraram queda de 3,3% na produção. Os bens intermediários viram a produção cair 0,7% frente 2021. A fabricação de bens de capital encolheu em 0,3%, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis caiu 0,2%.


FONTE: dcomercio.com.br

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