Seis em cada dez empresas perderam faturamento durante a pandemia no Estado de São Paulo


Seis em cada dez empresas (63%) viram o faturamento diminuir do início da pandemia até agora. É o que mostra uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Mais do que isso, sete em cada dez delas (72%) experimentaram redução no volume de clientes em decorrência das restrições de circulação impostas em meio à crise sanitária, a fim de mitigar os efeitos da transmissão do covid-19. Os dados são de uma sondagem sobre os impactos da crise sanitária sobre os negócios das empresas, realizada pela Federação, entre abril e maio, com cerca de cem empresas do Estado.

O estudo mostra, ainda, que até a chegada da pandemia ao Brasil, a maioria dos negócios em São Paulo vivia situação de estabilidade. Assim, pode-se dizer que o covid-19 deteriorou a situação deles: 54% dos empresários ouvidos disseram que, antes da crise, tinham uma condição estável no faturamento. Quase um terço deles (31%) respondeu que, na verdade, as condições eram boas – enquanto só 14% passavam por dificuldades até a chegada da pandemia.

São dados que, para a FecomercioSP, expressam os prejuízos que a crise sanitária legou ao ambiente de negócios paulista – a qual ainda deixará desafios estruturais, como mudanças nas demandas e nas tendências de todos os setores, sem contar a retomada financeira da maioria dessas empresas.

Para chegar lá, a Federação orienta que os empresários reduzam custos, reavaliem contratos, solicitem empréstimos para alavancar os negócios e aumentem o capital de giro, de forma a saldar antigas dívidas.

No caso da relação desses negócios com o Poder Público, aliás, esta demanda aparece ainda mais forte: quando perguntada sobre quais medidas estatais seriam mais efetivas, uma maioria (56%) apontou a renegociação de prazos de impostos, enquanto 52% citaram a ampliação de linhas de crédito. Houve ainda 44% que afirmaram esperar uma redução de juros e empréstimos passados. Esta é uma necessidade que, na percepção da Entidade, só pode ser resolvida por meio de uma articulação coordenada de governos municipais, estaduais e federal.

Empresas fecham com mais rapidez em 2021 Outra pesquisa, da consultoria Serasa Experian, ajuda a entender a conjuntura do estudo da FecomercioSP: ela mostra que, em apenas quatro meses, o Brasil já perdeu quase um terço (27%) de todas a micros e pequenas empresas que faliram ao longo de 2020. Se em todo o ano passado foram 502 mil falências de negócios deste porte, só entre janeiro e abril de 2021 este número foi de 139 mil. A porcentagem é a mesma para as médias empresas: nos quatro primeiros meses deste ano, 34 mil delas fecharam as portas – o que representa 27% em relação às 125 mil que deixaram de existir em todo o ano de 2020.

Já entre as grandes empresas, o Brasil perdeu até abril um quarto de todas aquelas que o País deixou de ter no ano passado. Foram 13 mil falências nos quatro primeiros meses do ano, depois de um 2020 com 63 mil registros.

No total, 325 mil empresas, entre todos os portes, fecharam as portas no País entre janeiro e abril deste ano. Considerando que, ao longo de 2020, foram 690 mil falências, o cenário é de um avanço acelerado de negócios sem condições de seguir funcionando: em quatro meses, o Brasil já perdeu quase a metade (47%) de todos os negócios que deixaram de existir no ano passado.

As micros e pequenas empresas estão sendo mais afetadas, já que, em cenário de crise, são as que encontram mais dificuldades financeiras, na capacidade de investimento e no acesso ao crédito formal. Mesmo com medidas do Poder Público para mitigar os impactos negativos, elas também têm menos condições de arcar com as perdas e com a queda nas demandas, segundo constata a Federação.

Essas empresas também lideram a lista de negócios que entraram em recuperação judicial: foram 166 mil entre janeiro e abril de 2021, o que representa 28% de todos os processos ocorridos em 2020 sobre micros e pequenas empresas (580 mil). Entre as médias, o número de falências nos quatro primeiros meses do ano é de 43 mil, enquanto entre as grandes é de 16 mil. No total, 225 mil negócios entraram em recuperação judicial no Brasil no começo deste ano – 2020 terminou com 921 mil empresas nesta situação. Medidas ajudaram a mitigar falências Os dados da pesquisa reforçam a percepção de que, apesar da crise econômica decorrente da pandemia de covid-19, as várias medidas adotadas pelo Poder Público – muitas delas pleiteadas pela FecomercioSP ao longo do ano – ajudaram a evitar uma conjuntura ainda pior. Tanto é que, em 2019, o número de falências foi maior do que em 2020: 919 mil registros ante 690 mil no ano passado, uma diferença de 229 mil negócios.

Da mesma forma, se em 2019 foram 1,25 milhão de empresas entrando em recuperação judicial, no ano seguinte, já em meio à pandemia, este número foi de 921 mil – diferença de 338 mil negócios.

Dentre as medidas que colaboraram para evitar um fechamento mais intenso das empresas, estão a suspensão temporária da folha de pagamentos, a postergação do parcelamento de tributos e a aprovação do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), criado em meio à pandemia para ajudar justamente as micros e pequenas empresas na recuperação dos negócios.


Fonte: FecomercioSP