Taxa de empreendedorismo no Brasil regride ao patamar de 2012

Pesquisa GEM, divulgada no país pelo Sebrae, mostra que em 2021 essa taxa atingiu 30,4% da população. Em 2020 ela era de 31,6%.


O número de empreendedores brasileiros à frente de um negócio com mais de 3,5 anos voltou a crescer no país. É o que aponta o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2021, divulgado pelo Sebrae, nesta quinta-feira, 24/03.


Realizada no Brasil em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), a maior pesquisa de empreendedorismo do mundo indica que, mesmo com os reflexos da pandemia, a Taxa de Empreendedores Estabelecidos teve um incremento de 1,2 ponto percentual e passou de 8,7% da população adulta, em 2020, para 9,9%, no ano passado.


Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, esse resultado aponta que parte dos empreendedores que abriram uma empresa nos últimos anos conseguiu sobreviver à pandemia, o que deve ser visto como um ponto positivo.


Ele também ressalta que esse dado pode ser reflexo de medidas como maior acesso a crédito, por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), e de programas como Auxílio Emergencial e Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm).


Melles destaca que a Taxa de Empreendedores Estabelecidos, apesar de ter sofrido uma forte queda entre 2019 e 2020, foi a única que apresentou alta em 2021, o que corrobora a tese de que, além dos programas de auxílio, a experiência dos empreendedores também garante uma melhor gestão da empresa.


O relatório da GEM mostra que a Taxa de Empreendedorismo Inicial – composta por “nascentes” (quem realizou alguma ação visando ter um negócio ou abriu um em até três meses) e por “novos” (com 3,5 anos de operação) – sofreu uma queda de 2,4 pontos percentuais e atingiu o patamar de 21%.


De acordo com a pesquisa, os empreendedores nascentes mantiveram o recorde alcançado em 2020, com uma taxa 10,2%, o que evidencia que ainda há muitas pessoas procurando o empreendedorismo como alternativa de ocupação, na chamada “porta de entrada” do empreendedorismo.


Já entre os novos, houve uma queda, passando de 13,4%, em 2020, para 11%, em 2021, o que sinaliza que parte dos empreendedores que abriram um negócio nos últimos anos não conseguiu se manter e outra parte foi para os estabelecidos.


“Entre os anos de 2019 e 2021, houve uma redução de 4,7 pontos percentuais entre os empreendedores novos, o que demonstra que muitos foram impactados fortemente pela pandemia. É a maior queda bienal da série histórica, ou seja, temos um grande volume de pessoas entrando, mas também saindo”, comenta o presidente do Sebrae.


Segundo ele, a queda na Taxa de Empreendedorismo Inicial fez com que a taxa total de empreendedorismo no Brasil caísse pelo segundo ano consecutivo e ficasse em 30,4%, valor semelhante ao de 2012, o que confirma uma acomodação do empreendedorismo no pós-pandemia.


EMPREENDEDORISMO POR NECESSIDADE


Em 2021, o Brasil apresentou uma queda na taxa de empreendedorismo por necessidade. Cerca de 48,9% dos empreendedores iniciais abriram um negócio, no ano passado, em busca de uma fonte de renda. Em 2020, esse percentual foi de 50,4%.


Apesar da redução, esse ainda é o terceiro patamar mais elevado da série histórica, aponta a pesquisa.


“A pandemia teve início em 2020 e junto com ela cresceu a quantidade de desempregados, motivados, em muitos casos, pelo grande número de restrições nas atividades econômicas. Com a vacinação e o arrefecimento das medidas restritivas, as empresas voltaram a funcionar e a contratar, o que pode ter reduzido o empreendedorismo por necessidade”, diz Melles.


A taxa de empreendedorismo por necessidade é composta por empreendedores nascentes, aqueles que pensam em abrir um negócio ou já o fizeram em até três meses, e pelos novos, que possuem um negócio entre três meses e 3,5 anos.


Em 2020, 53,9% dos empreendedores nascentes foram para o caminho do empreendedorismo por necessidade. Já em 2021, esse indicador caiu para 49,6%. Entre os empreendedores novos, em 2020, eram 47,9% por necessidade e, em 2021, subiram para 49,3%.


“O que podemos entender desse resultado é que a maioria das pessoas que entraram no empreendedorismo em 2020 foi movida pela necessidade. A parte boa é que exatamente na porta de entrada (os empreendedores nascentes), verificamos uma redução em 2021. Outro ponto positivo é que, no ano passado, o empreendedorismo por oportunidade voltou a motivar mais da metade dos empreendedores iniciais (quando somados nascentes e novos)”, diz o presidente do Sebrae.


ESCOLARIDADE


O relatório da GEM também assinala que os empreendedores iniciais estão mais escolarizados: 28,5% deles têm curso superior completo. Esse resultado é o maior já detectado desde o ano de 2013 e apresenta um aumento em relação a 2020, quando 24,4% dos empreendedores iniciais possuíam essa mesma escolaridade.


Já os entrevistados com, no mínimo, ensino médio completo correspondem a 47,1% do universo pesquisado.


O principal grupo que motivou essa evolução foi o de nascentes, aqueles que realizaram alguma ação visando ter um negócio ou abriram um em até três meses. Nesse estrato, a proporção dos que têm nível superior passou de 22,4% para 25,6%, entre 2020 e 2021.


Entre os novos (com até 3,5 anos de operação), a proporção com nível superior passou de 26,6% para 31,3%.


FAIXA DE RENDA


Apesar do aumento da escolaridade, esse resultado ainda não se refletiu no acréscimo da renda do empreendedor inicial.


De acordo com a GEM, 57% dos empreendedores ganhavam até três salários-mínimos em 2021.


“Podemos inferir que os empreendedores iniciais são de baixíssima renda e que grande parte deles são potenciais microempreendedores individuais (MEI) ou que se formalizaram há pouco tempo nessa figura jurídica”, comenta o presidente do Sebrae.


Os empreendedores iniciais que ganham entre três e seis salários-mínimos equivalem a 29,4% e os que recebem acima de seis salários-mínimos são 13,6%.


Fonte: Diário do Comércio.