Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos sobem após novas revisões do IPCA no Focus


SÃO PAULO – As taxas oferecidas pela maioria dos títulos públicos registravam alta moderada no início da manhã desta segunda-feira (28) no Tesouro Direto. Investidores repercutem as revisões para cima nas projeções de inflação medida pelo IPCA e do PIB, no Boletim Focus do Banco Central (BC).


Entre os papéis prefixados, o prêmio do título com vencimento em 2024 avançava de 8,14% para 8,27%, enquanto o papel para 2026 oferecia rentabilidade de 8,64%, contra 8,55% na sessão de sexta-feira.


Da mesma forma, boa parte dos títulos atrelados à inflação apresentavam alta nos prêmios nas negociações do início da manhã. Os papéis do Tesouro IPCA com vencimentos em 2035 e 2045 pagavam retorno real de 4,20%, contra 4,17% na sessão anterior.

As taxas dos títulos com vencimento em 2055 e juros semestrais, por sua vez, também subiam e pagavam rentabilidade real de 4,46%, contra 4,35% que eram pagos anteriormente.


Focus e reforma tributária


No cenário nacional, a segunda-feira começa com agenda econômica movimentada. Hoje, as atenções estão voltadas para as novidades sobre o Boletim Focus e os dados de abertura de vagas de emprego com o Caged, além dos desdobramentos da reforma tributária.

De acordo com o relatório Focus divulgado hoje de manhã, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 voltou a acelerar e passou de 5,90% para 5,97%, pela décima segunda semana consecutiva. Já para 2022, as apostas do mercado se mantiveram inalteradas pela segunda vez seguida, com uma alta prevista de 3,78% para o índice de preços.


O mercado também aumentou a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção para a alta da atividade neste ano subiu pela décima vez consecutiva, e passou de 5% para 5,05% em 2021. Para 2022, a expectativa é de expansão de 2,11%, ante 2,10% no levantamento anterior.


Apesar de as revisões nas projeções para a inflação e para o PIB, o mercado preferiu manter as projeções para a Selic em 6,50% no fim de 2021, mantendo-a estável até o fim de dezembro de 2022.


Da mesma forma, o mercado optou por seguir com as projeções para o câmbio neste ano e no próximo sem alterações em comparação com a semana passada, em R$ 5,10 e R$ 5,20, respectivamente.


A agenda econômica doméstica traz ainda a divulgação dos dados de crédito do BC, às 9h30 e o relatório mensal da dívida pública de maio, que sai às 14h30. O governo também divulga, hoje à tarde, dados do Caged sobre a criação líquida de vagas. Segundo o consenso compilado pela Bloomberg, a expectativa é que tenham sido criadas 157.500 vagas líquidas em maio.


Ainda no Brasil, investidores monitoram mais desdobramentos sobre as mudanças propostas pelo governo na segunda fase da reforma tributária, que foi entregue ao Congresso na última sexta-feira (25). O projeto de lei deseja modificar a cobrança do Imposto de Renda para pessoas físicas, empresas e investimentos e causou forte rebuliço no mercado no pregão anterior.


Na última sexta-feira, a Bolsa de Valores brasileira, por exemplo, fechou em forte queda de 1,74%, aos 127.255 mil pontos e se descolou do tom mais positivo das bolsas internacionais, após o detalhamento apresentado pelo governo da reforma tributária. Foi a maior desvalorização do benchmark desde 12 de maio, quando o principal índice da Bolsa caiu 2,65%.


O dólar comercial, por sua vez, terminou o pregão de sexta-feira em alta de 0,67% a R$ 4,937 na compra e a R$ 4,938 na venda. Na semana, por outro lado, o câmbio recuou 2,58%.


Entre as principais mudanças propostas na segunda fase da reforma tributária estão a tributação de dividendos distribuídos à pessoa física em 20%. Atualmente, os pagamentos de dividendos são isentos de tributos.


Além disso, o projeto encaminhado pelo governo estabelece que, a partir de 2022, todos os rendimentos, inclusive na amortização e na alienação de cotas, sejam tributados sob a alíquota de 15%. Exceto para cotistas pessoas físicas, a mudança representa uma redução em relação à alíquota atual, de 20%. A justificativa da equipe econômica é de que é preciso simplificar e harmonizar o tratamento tributário entre fundos.


De olho lá fora


Nos EUA, sem indicadores relevantes na agenda, a atenção está voltada para as falas de autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).


O presidente da distrital de Boston do Fed, Eric Rosengren, fez um alerta para a alta de preços no mercado imobiliário americano como um possível risco à estabilidade financeira do país.


De acordo com o dirigente, os Estados Unidos não podem se dar ao luxo de bancar “o boom e o colapso” do setor. “Acho que vale a pena prestar muita atenção ao que está acontecendo no mercado imobiliário “, disse Rosengren em entrevista ao jornal Financial Times.

Além disso, o presidente do Fed de Nova York, John Williams participa de discussão em painel do BIS às 10h. Já Patrick Harker, do Fed da Filadélfia, discursa em evento às 12h.

Ainda na cena global, os investidores monitoram o avanço no número de casos de coronavírus na Ásia. Em meio à disseminação da variante delta, países como Tailândia, Malásia e Austrália voltaram a implementar medidas de lockdown.


Já na Itália, por outro lado, a partir desta segunda-feira (28), os habitantes não precisam mais usar máscaras ao ar livre em situações em que não houver risco de aglomerações.

A restrição foi oficialmente revogada pelo governo italiano, embora a administração da região da Campânia, no sul do país, tenha decidido manter a obrigatoriedade do uso de máscaras a céu aberto.


A gestão do premiê Mario Draghi vinha sendo pressionada a derrubar a restrição havia algumas semanas, em função da melhora dos números da pandemia de Covid-19 e do avanço da campanha de vacinação.


Fonte: https://www.infomoney.com.br/