Tíquete médio familiar no comércio varejista cresceu 1,9% em 2020, aponta FecomercioSP


Como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) já havia adiantado em menções anteriores ao desempenho das atividades do varejo, com enfoque nos dados obtidos sobre o mercado varejista, a pandemia modificou a dinâmica de consumo das famílias e teve forte impacto sob a cadeia produtiva. Um estudo inédito da Entidade, no entanto, se propôs a fazer um recorte sobre o valor do Tíquete Médio Mensal Familiar (TMF) com produtos no comércio varejista do Estado de São Paulo, em 2020, e concluiu que houve crescimento de 1,9% em comparação a 2019. O TMF incorpora outra camada de informação primária sobre os dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista na Região Metropolitana de São Paulo (PCCV): a dinâmica demográfica ao longo dos meses e anos. Isto é, considera não apenas o valor agregado do faturamento varejista observado, mas também o aumento ou a redução do número de famílias, que se altera todos os meses. Ao mesmo tempo, apresenta a composição dos gastos mensais das famílias no varejo por grupos de produtos. De acordo com o levantamento, as despesas mensais das famílias passaram, em média, de R$ 4.197,73, em 2019, para R$ 4.276,82, em 2020. O setor de vestuário, por exemplo, um dos mais atingidos pela pandemia, faturou, em 2020, pelos dados finais da PCCV, R$50,8 bilhões – R$ 12,9 bilhões a menos do que em 2019, uma queda de 20,3%. Assim, ao analisarmos o TMF, vemos que, em média, cada família no Estado gastou, por mês, com roupas e calçados, R$ 276,87, ou R$ 75,88 a menos do que consumiu com esses artigos em 2019, significando que reduziu seus gastos em 21,5% no ano passado com estes itens. Por esta informação, é possível saber que, no ranking de despesas médias de cada família na aquisição de produtos varejistas, o consumo de roupas (que, em 2019, representava 4,7% do total mensal), passou a representar apenas 3,1% dos gastos varejistas familiares. O estudo buscou dar ênfase nas análises dos segmentos com maiores e menores variações, aqueles que possuem maiores e menores valores absolutos, e ainda, as regiões do Estado em que são registradas as variações e os valores absolutos, respectivamente. Para a FecomercioSP, este novo indicador não apenas pode ser uma ferramenta para estratégias ao longo da pandemia, mas também um dado essencial para redirecionamento de investimentos para empresários dos diferentes setores do comércio varejista, permitindo uma análise comparativa entre os valores e segmentos com maior potencial no estado.

Comportamento do TMF no Estado de São Paulo

Corroborando a percepção sobre os impactos da pandemia na sazonalidade do comércio, o mês de abril foi o que registrou o menor valor do tíquete médio familiar: R$ 3.112,04. Historicamente, o mês de fevereiro é que ocupava essa posição. Já a maior despesa das famílias, como já era esperado, foi registrada no mês de dezembro, com a soma de R$ 5.485,44.

O estudo consolida as análises de que, em 2020, os consumidores direcionaram mais os seus gastos no varejo para os segmentos de artigos de reforma e construção (com alta de 16,9%) e de alimentação e produtos de limpeza e higiene (crescimento de 12,1%), assim como reforça que o setor de vestuário foi o mais impactado negativamente, em razão, principalmente, da dinâmica do comportamento do consumidor na pandemia. Com queda de 21,5%, o setor acompanhou o segmento de aquisição de veículo, que caiu 19%. Neste último caso, também se nota uma consequência direta da crise sanitária, já que esta afetou a confiança do consumidor para a aquisição de bens duráveis.


Regiões administrativas

Nas regiões administrativas, os maiores TMF foram verificados em Osasco e Jundiaí, sendo que, na primeira, o valor registrado foi de R$ 5.550,10 (alta de 11,2% em relação a 2019, quando registrou R$ 4.992,99).


Nas tabelas seguintes, é possível observar o comportamento do consumo das famílias por segmento em cada região administrativa do Estado.



Em Jundiaí, conforme a tabela abaixo, o valor registrado foi de R$ 5.034 (um aumento de 2,8%, era R$ 4.896,33 no ano pré-pandemia). Confira também a variação por segmento.


Os menores TMFs, por sua vez, se apresentaram nas regiões administrativas de Presidente Prudente e Bauru. Na região administrativa de Presidente Prudente, o valor foi de R$ 2.880,04, em 2020, (queda de 0,3% em relação a 2019, quando atingiu R$ 2.887,89).



Já na região administrativa de Bauru, o valor registrado foi de R$ 3.454,54, fixando uma alta de 2,7% em relação a 2019 (R$ 3.365,07).



As variações porcentuais positivas mais expressivas do TMF foram verificadas nas regiões administrativas de Osasco e Araçatuba. Na região administrativa de Osasco, o crescimento do tíquete médio familiar entre 2020 e 2019, ou seja, a variação porcentual positiva verificada de um ano para o outro, foi de 11,2%.



Mudanças na dinâmica dos gastos

Para a FecomercioSP, o estudo corrobora a percepção de que jamais se observou, em tempo algum, uma mudança tão grande na dinâmica dos gastos em tão pouco espaço de tempo como nesse período.


Tudo isso foi decorrência dos fortes impactos da pandemia, que assolou o mundo, e das medidas adotadas para o seu controle.


Ao mesmo tempo que o cenário pandêmico limitou a circulação de pessoas, as restrições de funcionamento das atividades impuseram ônus econômicos a todos os agentes produtivos, ainda que de forma assimétrica, o que acabou por provocar alterações estruturais em toda cadeia produtiva.


Nota metodológica

O indicador apresenta o valor médio mensal do consumo varejista na despesa familiar, sua participação nesses gastos e a dinâmica ao longo dos meses, agregando as estimativas de crescimento populacional. O objetivo é capturar as mudanças de curto e médio prazo na estrutura de consumo das famílias, e assim, acompanhar o direcionamento dos seus gastos diante dos impactos dos aspectos conjunturais.


Para compor o estudo foram utilizadas informações populacionais de fontes de dados primários da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) e do IBGE, que permitiram a elaboração de um modelo próprio de estimativas de crescimento do número de famílias em cada Região Administrativa do Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo, com informações obtidas pela Pesquisa Conjuntural do Comércio (PCCV), baseada em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) e da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), foram compostas as bases de dados que permitiram, por meio de uma metodologia própria, se obter o conjunto das informações mensais de despesas das famílias em cada região e no estado de São Paulo.